Política

Sob protestos e sem 4 vereadores, Sakai toma posse na presidência da Câmara

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 5 min

Em sessão solene marcada por manifestações contrárias e favoráveis (leia mais abaixo) e pela ausência de quatro vereadores, na tarde de ontem Roberval Sakai (PP) tomou posse como o novo presidente da Câmara Municipal de Bauru para o biênio 2011-2012. Ele defendeu a necessidade do diálogo com os demais parlamentares para resolver questões como o aumento no número de vereadores, reforma do novo prédio do Legislativo, negociação de dívidas entre o município e órgãos como o DAE, Cohab e Funprev e o tratamento de esgoto na cidade.

Além de Sakai, a nova mesa diretora da Casa que tomou posse ontem é composta pelo vice-presidente Moisés Rossi (PPS), primeiro secretário Carlinhos do PS (PP) e segundo secretário José Roberto Segalla (DEM), que substituem, respectivamente, o pastor Luiz Barbosa (PTB), Natalino Davi da Silva (PV), Fabiano Mariano (PDT) e Paulo Eduardo de Souza (PSB).

Em solenidade acompanhada por diversas autoridades, como ex-vereadores, representantes das polícias Civil e Militar, entidades de classe, instituições religiosas e sociedade civil, as ausências mais sentidas foram as dos vereadores Pastor Luiz Barbosa (PTB), Roque Ferreira (PT), Renato Purini (PMDB) e Chiara Ranieri (DEM), a única que foi justificada.

O novo presidente buscou um discurso ameno neste início de mandato e preferiu evitar tomar partido em questões polêmicas como o tratamento do esgoto e as dívidas da prefeitura. "Eu acho que nós precisamos sentar com o prefeito, ele vir até esta Casa e chegarmos a uma conclusão", afirma.

Segundo ele, todas as decisões serão tomadas com "tranquilidade e serenidade", em conjunto com os demais vereadores e membros da mesa diretora, visando sempre o que for melhor para a população. "Quero reafirmar meu desejo de aproximar cada vez mais a população desta Casa", declara.

Sakai negou, mais uma vez, a existência de um racha entre ele e a atual administração. "O nosso relacionamento com o Poder Executivo será de harmonia", diz. "Eu creio que o próprio prefeito estará vindo a esta Casa, tendo diálogo com os vereadores, como ele sempre teve".

Em relação às magoas geradas na longa eleição que definiu sua candidatura à presidência do Legislativo, que acabaram estremecendo sua relação com o governo municipal, o vereador ressalta que já foram superadas. "Eu acho que o que houve na eleição já passou. Agora, nós temos que olhar para a nossa cidade", desconversa.

"Nossa cidade caminha para um processo muito bom e eu acho que todos os vereadores certamente acompanharão o trabalho desta Casa. E queremos fazer o melhor para Bauru".

O parlamentar também diz acreditar no aumento do número de vereadores para a próxima legislatura, assunto que será definido durante seu mandato. "Essa é uma questão em que nós vamos nos reunir com todos os vereadores e chegar a uma conclusão. Eu tenho a certeza de que cada vereador tem a sua opinião e eu quero respeitar. O que for melhor para a Casa, para a nossa cidade, nós faremos", pontua. "Mas eu creio que deva aumentar".

Segundo Sakai, a eleição que vai definir a constituição das dez comissões permanentes e das comissões temporárias da Casa será realizada na primeira sessão legislativa ordinária, marcada para fevereiro, quando também serão indicados os líderes partidários.

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Harmonia entre poderes é ressaltada


O discurso de harmonia entre a prefeitura e a Câmara também foi defendido pelo prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), que acompanhou ontem a sessão de posse da nova mesa diretora do Legislativo. "Eu tenho um bom relacionamento com o vereador Sakai, acho que vai continuar da mesma forma, um relacionamento harmonioso, sem qualquer tipo de ingerência de qualquer uma das partes", declara.

O prefeito também acredita que as arestas surgidas com a escolha de Roberval Sakai para a presidência da Casa foram aparadas. "Eu acho que já é fato do passado, já é questão superada, e agora temos que todo mundo pensar na cidade. A política de Bauru, num passado não tão distante, foi marcada por muita picuinha. Da minha parte, eu quero mais que tudo isso seja superado e que a gente agora olhe para a frente, olhe para a cidade", afirma.

Na opinião de Fabiano Mariano (PDT), que deixou ontem a primeira secretaria da Câmara, não deverá haver grandes mudanças na relação entre o Executivo e o Legislativo. "Eu acredito que é uma mesa competente, uma mesa capaz, que não irá criar nenhum problema para o Executivo", pontua.

O vereador Marcelo Borges (PSDB) acredita em alterações na forma de gestão da Casa e defende que os 16 vereadores sejam tratados com respeito nos próximos dois anos, em recado claro ao Executivo.

"Nós já mostramos que aqui tem que ser uma casa republicana, não podemos ser uma casa onde se massacra a minoria", diz. "Temos algumas questões polêmicas que nós vamos ter que tratar de discutir dentro da Câmara".

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Manifestações


No seu primeiro dia como presidente da Câmara, Roberval Sakai (PP) já teve que enfrentar uma saia-justa. Logo após seu discurso de posse, munidos com cartazes com as frases "E o decoro e a ética, cadê?" e "Ética deveria ser o princípio de tudo. Cadê ela?", um grupo formado por três manifestantes fez duras críticas ao vereador, que ignorou os protestos.

O grupo se mostrou insatisfeito com a "mudança de lado" do parlamentar, eleito presidente com votos da oposição, apesar de fazer parte da bancada de apoio ao prefeito. Para minimizar os efeitos da manifestação, simpatizantes de Sakai, que lotavam a galeria da Câmara, passaram a abafar os gritos dos manifestantes com vaias.

Antes de ir embora, eles ainda jogaram sal grosso nas escadarias do prédio do Legislativo para "purificar" o local contra o chamado mau olhado.

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