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Entrevista da Semana: Eduardo José Toledo Jacinto da Silva

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 8 min

De Bauru ao cenário da música nacional


Eduardo José Toledo Jacinto da Silva ou Edu Toledo, como é conhecido no mundo da música, nasceu em Bauru e foi apresentado ao piano ainda cedo, aos 7 anos de idade. Mesmo tão criança, já nos primeiros contatos com o instrumento ele percebeu um sentimento diferente. Não queria apenas tocar, e foi ainda naquela época que suas primeiras criações surgiram. "Mesmo que simples, eu já começava a criar as minhas coisas".

Com o desejo de expandir e mostrar seu trabalho, Edu Toledo mudou-se para o Rio de Janeiro, onde está conquistando seu espaço no cenário musical. Recentemente, ele fez uma participação na novela "Escrito nas Estrelas", da Rede Globo.

Ainda com seu trabalho, já tocou ao lado de grandes nomes da música nacional e até internacional, como a cantora Ithamara Koorax, considerada pela Down Beat americana uma das três maiores cantoras de jazz da atualidade, e de quem recebeu grandes elogios.

Com duas faculdades de música no currículo, isso sem contar com outros cursos, foi com o também músico bauruense Amilton Godoy e o Zimbo Trio que ele teve seus primeiros encantamentos com a música. "Comecei a tocar piano na igreja e depois em uma banda onde aprendi muito vendo os músicos mais experientes tocarem", recorda-se.

A paixão pelo futebol, família e vida no Rio de Janeiro também fazem parte da entrevista que ele concedeu ao Jornal da Cidade. Leia os principais trechos.

Jornal da Cidade - A música fez parte também da sua infância?

Eduardo José Toledo Jacinto da Silva - Eu comecei com música muito cedo porque a gente já tinha um ambiente razoavelmente musical em casa. Meu pai, quando criança, estudou violino e um pouco de piano. Já minha mãe tinha estudado piano e os parentes dela eram todos músicos. Aos 7 anos de idade, eu comecei a ter aulas de piano, mas não com o intuito de me tornar um músico. Meus pais queriam simplesmente que eu tocasse.

JC - Então a paixão musical veio naturalmente.

Edu -Isso. A ideia de ir até o piano e fazer um som que fizesse sentido começava a me fascinar e a formatar na minha cabeça. Então eu fui para a aula superfeliz e comecei a estudar piano. Lá pelos 12 ou 13 anos eu comecei a implicar um pouquinho com a forma como era dado o curso e isso veio nortear a minha vida toda porque eu não queria apenas reproduzir música, não queria apenas reproduzir uma partitura. Acho importante isso tudo, saber ler o que foi escrito, o que foi feito de bom, mas já naquela época, já com 7 anos, eu já começava a criar as minhas coisas, embora muito simples. Boa parte da minha infância eu ficava em casa só criando, tocando coisas, improvisando...

JC - Suas primeiras influências musicais também são bauruenses?

Edu - Com certeza. Já mais velho, fui para São Paulo ter aulas de música com o Adilson Godoy, o filho mais velho da dona Vitória, que é a mãe de três grandes pianistas brasileiros: Adilson, Amilton e Amilson. Na sequência acabei fazendo aulas com o Amilton, do Zimbo Trio, o Amilton Godoy, que me ajudou muito também. Ele foi uma influência marcante não só por ser bauruense, mas porque desde criança eu via o programa que ele tinha na TV Cultura, o Café Brasil, que o Zimbo Trio apresentava. Além disso, ele é um ser humano maravilhoso. Fiz duas faculdades de música, uma com habilitação em música e outra em piano erudito, além da faculdade de direito. Mas, infelizmente, vi que a faculdade não preparava o músico para a real necessidade profissional, a prática. Comecei a fazer mestrado por duas vezes, mas não terminei por estar sempre mudando de cidade.

JC - Lembra-se da sua primeira apresentação?

Edu - Aos13 anos eu comecei a tocar na igreja e isso foi uma experiência fantástica porque ali já não tinha partitura e uma série de apoios musicais teóricos. Era outra experiência. A gente tinha de estar apto a tocar de ouvido, a ler cifras que para mim era uma coisa nova, e aqui em Bauru não tinha um curso assim, os professores estavam num outro âmbito musical. Fui pegando uma coisa com um, uma coisa com outro... Com isso acabei numa banda de baile, onde atuei pela primeira vez como profissional.

JC - Boas lembranças dessa época?

Edu - Muitas. Nessa banda de baile eu tive também professores, pessoas que me ajudaram. Não posso falar que sou um autodidata. Aprendo muito com um tecladista e pianista aqui de Bauru chamado Neto. Depois também vi o Badê tocando e também aprendi bastante. Foi quando percebi que era hora de buscar algo mais.

JC - Por isso sua saída de Bauru?

Edu - Eu tinha de seguir esse caminho da música, precisava tentar um caminho profissional mais adequado. Eu não queria ficar só dando aulas porque sentia a necessidade de mostrar minhas composições, minha música e minhas interpretações para MPB, jazz e música erudita. Eu viajava muito para São Paulo. Depois me mudei para Brasília para dar aulas em uma universidade e, logo mais, surgiu a oportunidade de morar no Rio de Janeiro. Optei pelo Rio pela qualidade de vida que a cidade propicia, e essa qualidade de vida acabou desembocando numa outra oportunidade de atuar, de poder extravasar meu hobby que sempre foi o futebol e que quase abandonei.

JC - Um músico futebolista ou jogador músico (risos)?

Edu - (Risos) Sempre gostei muito de futebol. Era uma grande oportunidade de diversão. Bom, fui morar no Rio de Janeiro e o primeiro mês foi muito difícil. Minha esposa ainda estava morando em Brasília e minha filha ficou em Bauru com meus pais. Comprei um pequeno apartamento em Copacabana, um bairro muito legal mas turístico, ou seja, ali tem de tudo e isso foi um super aprendizado, um verdadeiro convívio com a diversidade. Nisso, eu conhecia um fotógrafo carioca, o Renan Cepeda, que me levou para um teste em um time amador. Ganhei a vaga de goleiro e recebia um cachê semanal para jogar. Como tinha pouco trabalho na época, isso me ajudou bastante. No futebol também fiz ótimos contatos. Mais tarde, os trabalhos com a música aumentaram e o futebol voltou a ser apenas um querido hobby.

JC - Foi difícil se afastar da família?

Edu - Para mim em especial porque meus pais são pessoas muito queridas. Eles sempre me ajudaram muito e sempre estão ajudando outras pessoas, desde que eu me entendo por gente. Depois de um tempo, eu consegui levar minha esposa e minha filha para o Rio. Fiquei bem mais feliz. Viver naquela cidade é uma delícia. É uma cidade solar, com suas praias e turistas.

JC - Onde conheceu sua esposa?

Edu - Ela também é de Bauru e até já trabalhou no Jornal da Cidade. Quando nos conhecemos, trabalhávamos na Universidade Sagrado Coração (USC). Começamos a namorar e percebi sua ótima voz. Trabalhamos juntos por um tempo e ainda montamos uma dupla de voz e piano no Rio. Hoje ela é fotógrafa e tem seu trabalho bastante conhecido no Rio. Nossa filha já está com 14 anos e apesar de estudar música, não sei se seguirá esse caminho. Ela gosta muito de matemática, tanto que conquistou o 2º lugar na Olimpíada Brasileira de Astronomia.

JC - Quais são os grandes nomes da música que já estiveram ao seu lado?

Edu - Já trabalhei com alguns dos maiores músicos do País e outros do Exterior. Com Zeca Assunção gravei um CD que será lançado em 2011, além de Zé Eduardo Nazário, Egberto Gismonti, Hermeto Paschoal, o baixista alemão Frank Herzberg. Também toquei com uma cantora, inclusive aqui em Bauru, que vem sendo reconhecida como uma das melhores do mundo, Itamara Koorax. Na última eleição da revista Down Beat, que é a bíblia do jazz americano, ela saiu como a 3ª melhor cantora de jazz do mundo.

JC - Recentemente você fez uma participação em uma novela da Rede Globo.

Edu - Sim. Foi bem legal. No Rio, os músicos têm um ponto fixo onde tocam semanalmente. Eu estava com quatro pontos fixos e em um deles, na Barra da Tijuca, recebi um convite de um pianista para ligar para um dos produtores musicais da Rede Globo. Foi quando surgiu o convite para atuar como pianista na novela "Escrito nas Estrelas". Toquei muita música erudita. Uma ótima experiência.

JC - Como um morador do Rio, qual é a sua visão a respeito dos últimos acontecimentos envolvendo polícia, traficantes e população?

Edu - Acredito que pela primeira vez as autoridades estão olhando para o problema da tomada dos morros e favelas pelo tráfico. É hora de dar uma chacoalhada para acabar com essa conivência. É o início de uma grande faxina e é assim que a população está entendendo.

JC - Esta é a primeira entrevista de 2011. Quais são as suas metas para o ano?

Edu - Espero lançar o CD "Tocaia", que já foi gravado há um tempo quando estava em Brasília. São todas composições minhas e alguma coisa também foi feita para trilha sonora, como a música "Além da Canção", trilha sonora de um filme chamado "Samba Doido". Entre outras canções marcantes, tem a música "O Canto da Siriema", a mais diferente do disco. Nela eu toco viola caipira.


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Perfil


Nome: Eduardo José Toledo Jacinto da Silva

Idade: 39 anos

Local de Nascimento: Bauru

Signo: Virgem

Esposa: Sandra Rodrigues

Filhos: Elisa

Hobby: Jogar futebol como goleiro

Livro de cabeceira: Bíblia

Filme preferido: Aventura

Estilo musical predileto: Todos

Time: Não tenho mais paixão clubística, mas gosto do Fluminense e do Corinthians

Para quem dá nota 10: Para minha mãe e meu pai

Para quem dá nota 0: Para a intolerância às diferenças

E-mail: edutoledo@yahoo.com e www.myspace.com/cdtocaia

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