O novo estaleiro que será construído em Araçatuba vai alavancar o crescimento da Hidrovia Tietê-Paraná que tem potencial de transportar 20 milhões de carga por ano, mas só explora 20% da sua capacidade.
A Transpetro, subsidiária da Petrobras, vai construir 80 barcaças e 20 empurradores. Essa nova frota para o transporte de etanol provocará uma alavancagem no crescimento da hidrovia.
As novas embarcações custarão US$ 239,1 milhões (R$ 400 milhões) com previsão de entregar até 2013. Os recursos são do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC-2).
O secretário de Desenvolvimento Econômico e Relações do Trabalho de Araçatuba, Carlos Antonio Farias de Souza, acredita que a instalação do estaleiro no município vai descentralizar o desenvolvimento no Interior paulista.
"A ressonância vai ser em toda a faixa lindeira da hidrovia, os municípios na faixa de influência e já são polos, como Bauru, Lins e Araçatuba, vão ser beneficiados. O que não estava sendo aproveitado vai começar a ser integrado e aproveitado", diz.
Ela acredita na redução dos custos de frete e no preço do produto. A Hidrovia Tietê-Paraná tem potencial para transportar por ano 20 milhões de toneladas, mas atualmente a maior parte do produto transportado é de grãos, principalmente soja, e pouco de açúcar nas cargas de longa distância. Atualmente são transportados de 4,5 a 5 milhões de toneladas, 20% da capacidade da hidrovia.
Com a vinda do estaleiro e novas bases, com investimentos de R$ 80 a R$ 100 milhões, Souza afirma que a hidrovia deve duplicar o volume de transporte para 10 a 12 milhões toneladas/ano. O crescimento pode chegar a 35% de sua capacidade.
"É um impacto muito grande. O Departamento Hidroviário vai ter que fazer investimento grande para ampliar os vãos das pontes, com finalidade de melhorar a navegação. Haverá mais investimentos de transbordo em áreas estratégias. O Estado de São Paulo deve aumentar a participação no modal hidroviário com todo esse investimento".
Assim como o etanol está alavancando o desenvolvimento da hidrovia, Souza acredita que o transporte de açúcar também aguarda investimentos.
"Estávamos precisando de um grande projeto para servir de referência na área de transporte na hidrovia. Não era só ter a intenção e a vontade, mas precisávamos de um investimento alto. As empresas, que tem interesse em transportar pela hidrovia, já estão procurando informações e pontos para fazer a integração. Bauru oferece isso, devido os modais conjugados de hidrovia, ferrovia e rodovia. A hidrovia está em ascensão", declara.
O estudo para construção de estaleiro em Araçatuba se iniciou em 2000, mas ganhou força há três anos, principalmente depois do interesse da Transpetro. "O estudo realmente saiu do papel agora. A obra da hidrovia teve ajuda do PAC e claro a vontade política do governo federal", finaliza o secretário.
Desafio na educação
Com a chegada de novos investimentos, a prefeitura de Araçatuba já se preocupa com a capacitação de mão de obra para o estaleiro e construção de novas bases de transbordo de etanol.
Uma frota de 20 embarcações vai necessitar de uma tripulação que saiba operar esses equipamentos. "Ao todo serão 20 novos comboios, equivalente a mais de 100% da frota em operação. Tudo isso são desafios por ser necessário mais escolas técnicas", diz. A prefeitura negocia com a Marinha para treinar os novos técnicos. "Temos que antecipar isso, quando as embarcações estiverem prontas, pode ocorrer de não temos o pessoal preparado".