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Internações via Caps/AD começam dia 10

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 5 min

O Departamento Regional de Saúde (DRS-6) informou que, a partir do dia 10 de janeiro, passam a funcionar os cinco leitos para internação de dependentes químicos no Hospital Manoel de Abreu. Por conta da grande demanda, a ideia era oferecer as vagas ainda no final do ano passado. No entanto, o início dos atendimentos foi adiado para este mês para que houvesse capacitação de pessoal.

Doroti da Conceição Vieira Alves Ferreira, diretora do DRS-6, afirmou que os profissionais já estão preparados e as internações podem começar na próxima segunda-feira.

"Esses cinco leitos fazem parte da primeira etapa de um projeto que queremos levar adiante. Inicialmente, serão atendidos pacientes para desintoxicação, em um processo que leva de 5 a 15 dias", explicou.

Conforme divulgado pelo Jornal da Cidade, o DRS-6 tem a proposta de instalar 65 leitos em Bauru e 35 em Botucatu para a demanda de desintoxicação e tratamento de viciados em álcool e dependentes químicos. A maior demanda em Bauru está ligada ao vício no crack, considerado epidemia em várias cidades do Brasil.

As cinco vagas para o atendimento emergencial foram negociadas com a direção da Famesp, fundação que gerencia o Manoel de Abreu. Porém, para garantir o funcionamento de um centro especializado com os 65 leitos no Manoel de Abreu, será necessário o investimento de R$ 2,9 milhões.

"As especificidades do projeto exigiram que ele fosse encaminhado para 2011, mas vamos nos empenhar para torná-lo realidade e oferecer o tratamento completo a dependentes químicos em Bauru com internação, desintoxicação e tratamento, tentando reinserir os pacientes na sociedade", afirmou Doroti.

O projeto dos 35 leitos em Botucatu, com investimento de R$ 1,2 milhão, conseguiu a aprovação orçamentária ainda em 2010, pois já disponibilizava de instalações no Centro de Atendimento Integral à Saúde (CAIS) Cantídio de Moura Campos.

Encaminhamento


De acordo com a diretora do DRS-6, o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps/AD) será o único caminho de encaminhamento de pacientes com dependência química para a internação no Hospital Manoel de Abreu.

"Muitas pessoas estão ligando para o hospital e procurando outras formas de garantir a internação, mas as indicações serão todas feitas pelo Caps/AD. É importante ressaltar também que essas internações não vão durar mais do 15 dias porque serão somente para a desintoxicação", explicou Doroti.

A assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal informou que o Caps/AD ainda não tem posicionamento definido relacionado às estratégias de indicação de pacientes para internação. No entanto, uma reunião entre a unidade e o DRS-6 deve ocorrer ao longo desta semana para que os detalhes do trabalho sejam discutidos.

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?Dependência é uma síndrome?, diz Giraldi

De acordo com Nilson Giraldi, coronel da Polícia Militar (PM) do Estado de São Paulo, professor e educador. Especialista no tema "drogas, dependência e codependência química", ele enviou um artigo ao Jornal da Cidade sobre os tipos de entorpecentes e as consequências de seu uso.

Em seu texto, Giraldi destaca que existem dois tipos de drogas: as lícitas (como o cigarro, o álcool, medicamentos etc) e as ilícitas (como a maconha, crack, cocaína, heroína). Todas elas causam dependência e são "extremamente democráticas", atingindo homens e mulheres de todas as classes sociais.

"Podemos descobrir um dependente químico na família observando mudanças de comportamento, como a queda do desempenho escolar. A dependência química não se trata de uma doença, mas sim de uma síndrome - "síndrome da dependência química" -, ou seja, a pessoa já nasce com ela. A síndrome não tem cura, mas tem controle, bem como a hipertensão e o diabetes, e pode ser dividida em quatro fases", diz Giraldi.

Segundo ele, na primeira fase a pessoa tem a síndrome, mas não se tornou um dependente por ainda não ter experimentado drogas. A segunda seria a do dependente químico em exercício, que usa drogas.

Na terceira etapa, ainda de acordo com o especialista, o dependente químico está em abstinência, isto é, parou de usar drogas. No entanto, isso não é suficiente, pois ainda é comum a possibilidade de recaídas.

"O dependente químico em recuperação está na quarta fase e tem como característica a luta diária para manter a distância das droga. São raros os casos de recaídas nessa etapa, marcada pelas frases "estou limpo há dois dias; estou limpo há três meses, estou limpo há 20 anos".

Na fase de abstinência e de recuperação, segundo Giraldi, o dependente químico não pode mais frequentar os mesmos lugares de antes, ter contato com as pessoas que o incentivaram a usar drogas ou que são usuárias, participar de festas onde possa existir consumo de álcool incluindo cerveja, temperar salada com vinagre, comer bombom com recheio de licor, sentir cheiro de drogas, usar álcool para limpeza (mesmo que não tenha sido dependente químico de álcool, mas de outras drogas) etc.

"A família não tem condições de, isoladamente, resolver o problema, e também precisa de tratamento. Os familiares podem exercer um papel importante na transmissão de alegria, amor e bom humor para o portador da síndrome de dependência química. Além disso, a família é fundamental no processo de prevenção, mantendo-se sempre presente e orientando crianças e jovens a respeito do perigo que as drogas representam e ensinando-os a jamais experimentá-las", finaliza Giraldi.

Critérios

O secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, afirmou que os encaminhamentos de pacientes atendidos no Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps/AD) para desintoxicação no Hospital Manoel de Abreu serão feitos de acordo com critérios técnicos que julgam a pertinência ou não da internação dos pacientes.

Segundo Monti, o Caps/AD é uma unidade de referência em saúde e os pacientes que precisam de atendimento devem procurar primeiramente as unidades básicas de Saúde.

"O procedimento padrão é sempre esse: o cidadão se dirigir à unidade e, caso precise de atendimentos específicos, será encaminhado para o serviço especializado adequado. No Caps/AD funciona da mesma forma."

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