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Procura-se um verdadeiro político

Gino Crês
| Tempo de leitura: 3 min

Tenho, nestes dias, refletido sobre o clamor de indignação e frustração que se apoderou de todos pelo fato de os nossos "ilustres" congressistas em Brasília terem, em poucos minutos, em votação-relâmpago, aumentado vergonhosa e desmesuradamente (62%) os seus já tão altos salários. E, ainda, a comprovada existência no Legislativo de "sanguessugas" e "mensaleiros", a maioria absolvida pelos colegas, tanto assim que vários conseguiram reeleger-se. A renovação de novos nomes na Câmara dos Deputados (44%), francamente, não nos entusiasmou. O dito popular nos garante que "a ocasião faz o ladrão", não sei se estes neófitos vão ter moral para não se envolverem em futuras e vergonhosas falcatruas. Enfim, com raras exceções, mudam-se as moscas (corruptos), mas as fezes continuarão as mesmas num monturo de lixo depositado num Legislativo em meio a um cheiro nauseabundo.

Diante desta atitude de tamanha irresponsabilidade, quando os "nobres" deputados e senadores aumentaram os seus vencimentos quanto quiseram, como quiseram, no dia e na hora que quiseram, gostaríamos de perguntar as estes homens públicos se eles, aumentando os seus salários, não estariam cometendo um crime bárbaro que grita por vingança divina e que desrespeita os pobres e os injustiçados aposentados, que nada têm e que acabam arcando com o ônus deste descalabro pecuniário.

Até quando vamos suportar essas atitudes vergonhosas, abomináveis de nossos "translúcidos" parlamentares? A nossa decepção ainda é maior porque os protagonistas desse injustificável aumento foram exatamente em quem votamos e de quem se esperavam testemunho e coerência de vida. A gravidade desta situação negativa é que, sem Parlamento digno e atuante, não há verdadeira e justa democracia. Precisamos valorizar o nosso sagrado voto e não jogá-lo em qualquer latrina.

E, agora, o que fazer? Só nos resta recorrer ao exemplo do conhecido Diógenes, filósofo grego, que perambulava pela cidade com uma lamparina acessa, mesmo de dia, afirmando a quem o interrogasse que procurava "um verdadeiro homem" que tivesse como referências: a ética e a moral.

Aproveito este precioso espaço para convidar os pacientes leitores, para que, juntos, numa longa e árdua empreitada, saíamos com a nossa iluminada sensatez à procura do "verdadeiro político" que só será verdadeiro:

? Se tiver elevado conhecimento e profunda consciência de suas responsabilidades.

? Se sua pessoa refletir a credibilidade. Em nossos dias, os escândalos no mundo da política, estão ligados ao desvio de dinheiro público, abrangendo sobretudo uma voraz corrupção como aumento injusto de salário, nomeações sigilosas de amigos e parentes, horas extras pagas em recesso, verbas a entidades-fantasmas e outros tantos casos escabrosos. Para superar essa situação, reforçamos: é necessária resposta forte, resposta que implique reforma e honestidade a fim de reabilitar a figura dos políticos.

? Se trabalhar para o bem comum e não para o seu próprio interesse. Para viver esta realidade, que o político olhe a sua consciência e se pergunte: estou trabalhando para honrar a moralidade.

? Se estiver comprometido na realização de uma mudança radical, e a faz sem chamar de bem o que é mal, que não caminhe, como nestes dias, numa escala de perda e esquecimento dos valores morais.

? Se se mantiver fielmente coerente, com uma coerência firme entre suas palavras e suas ações; com coerência que honre e respeite as promessas eleitorais.

? Se souber escutar principalmente o povo, antes e depois das eleições; se souber escutar a própria consciência, se souber escutar Deus na oração. Sua atividade, certamente, trará certeza, segurança e eficácia.

? Se não tiver medo, antes de tudo, da verdade. A verdade não precisa de votos! Que não tenha medo o político, dos meios de comunicação; no momento do juízo final, ele terá que responder a Deus, e não, aos homens!

Senhores políticos, a política é uma "arte nobre e difícil". Se Vossas Excelências viverem esses valores aqui elencados com as necessárias renúncias, inclusive o interesse pessoal, poderemos, neste ano 2011, vibrar e dar graças aos céus, por ter encontrado o político a quem tanto procurávamos! (O autor, Gino Crês, é professor e colaborador de Opinião)

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