Todo ano é a mesma história: algumas pessoas desconhecem a realidade de uma sala de aula e não enxergam (ou fingem que não enxergam) a constante desvalorização do profissional da educação. Acham que os professores vivem num "mar de rosas".
A senhora Isabel Cristina Bueno está, no mínimo, desinformada em relação à remuneração e atuação docente, de modo geral. Expliquemos:
1.º) Em relação à carga horária. Nossa jornada básica é de 20h/a semanais, o que obriga a maioria dos professores a terem dupla e (ou) tripla jornada para poderem receber uma remuneração digna e justa.
2.º) No que diz respeito ao recesso e férias citados. É um direito adquirido há muitos anos e isso não é nenhum privilégio. Além disso, vale lembrar que cumprimos 200 dias letivos, inclusive feriados com comemorações cívicas na escola e reposição de feriados nacionais aos sábados.
3.º) Quanto ao PCCS. A manutenção dos nossos direitos foi fruto de mobilizações e lutas durante todo o processo de implantação do plano. Na realidade, não tivemos nem perdas, nem ganhos na maior parte dele. As conquistas foram mínimas, perto do que realmente podemos chamar de valorização profissional.
4.º) Em relação às outras secretarias citadas pela autora. Reconhecemos o trabalho digno de todas elas e compartilhamos que sejam dadas condições salariais mais justas em suas categorias; porém não podemos fazer comparações nem distinções, pois cada trabalhador possui seu mérito e merece ser valorizado conforme sua função. Os servidores da Secretaria de Obras, Sear e Semma fazem um excelente trabalho, sim. No entanto, antes de estarem em seus postos, certamente passaram pelos bancos escolares. Contudo, apoiamos toda e qualquer reivindicação que porventura esses ótimos servidores venham a fazer para melhoria de sua qualidade profissional.
5.º) Quanto à licença-prêmio. Todo funcionário público municipal e estadual concursado e assíduo tem direito à mesma. Então o professor não é um privilegiado. Ele tem o mesmo direito de qualquer funcionário público, para esclarecer a sra. Isabel Cristina, vereadores e população em geral.
Enfim, convidamos a sra. Isabel a participar de nossa rotina, pelo menos por uma semana, para compreender e valorizar nosso árduo trabalho: o desafio de ensinar, educar e instruir crianças, adolescentes, jovens e adultos, com 40 alunos em cada classe e apenas 2 ventiladores (quando funcionam)... Isso sem dizer dos tantos outros problemas que enfrentamos diariamente nas escolas de um modo geral, cujas palavras não caberiam nestas páginas...
Mas, enfim, somos mediadores do conhecimento e temos como preocupação central o aluno. Não vivemos de licença-saúde ou prêmio... Consideramos uma afronta o fato de algumas pessoas pensarem isso dos educadores dessa cidade, desse país...
Então, sra. Isabel, sugerimos que antes de escrever algo sobre os professores, a senhora siga o exemplo dos mesmos e faça uma tarefa básica: conheça profundamente o assunto, para depois dizer algo sobre ele.
E, para uma reflexão, deixamos aqui um presente para a sra. Isabel e todos os leitores: o trecho de uma linda canção de Amilson Godoy e Celso Viáfora, cantada pelo Coral Educanção, sob a regência de nossa querida Regina Damiate:
"Quem, com pó de giz, o lápis e o apagador
deu verbo ao Vinícius, Machado de Assis, Drummond? Quem ensinou piano ao Tom? Quem pôs um lápis de cor nos dedos de Portinari, Picasso e Van Gogh? Quem foi que deu asas a Santos Dumont? Quantos só descobrem porque o mestre enxergou e incentivou...
É... "só se faz um país com professor" (Professores da Emef "Cônego Aníbal Difrância")