Internacional

Inundações em Queensland, na Austrália, ameaçam a Grande Barreira de Corais

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Sydney - As inundações sem precedentes que afetam o Estado de Queensland, na Austrália, se estendem a cerca de 40 cidades e já ameaçam a Grande Barreira de Corais com dejetos e pesticidas levados pelas águas.

O lixo e os pesticidas são uma mistura perigosa para o equilíbrio frágil do maior recife de coral do mundo, com uma extensão de cerca de 2300 km - um ecossistema único, considerado patrimônio mundial pela Unesco e importante atração turística do país.

A primeira-ministra de Queensland, Anna Bligh, anunciou ontem que o número de cidades afetadas subiu de 22 para 40. Entre elas, a pequena Saint George, com 2.500 habitantes, que teve que retirar os pacientes de seu hospital diante da cheio do rio Balonne. A expectativa do Escritório de Meteorologia australiano é que o nível do rio Fitztroy, que cruza a cidade de Rockhampton, deveria chegar ao seu nível máximo ontem. O rio deve permanecer acima do nível de alerta durante ao menos uma semana.

Rockhamtpon, com 75 mil habitantes, é uma das principais cidades da região agrícola e mineradora da Austrália, que sofre com inundações que já afetam mais de 200 mil pessoas em uma área equivalente a França e a Alemanha juntas.

Para agravar ainda mais a situação catastrófica, os serviços meteorológicos lançaram um alerta de tempestades para o sul de Queensland, com risco de "precipitações muito fortes e um rápido aumento no nível da água".

O aumento do nível dos rios ameaçam agora cidades do Estado vizinho de Gales do Sul.

Outros dois helicópteros do Exército foram mobilizados para ajudar os deslocados e as populações isoladas. "O impacto a longo prazo ainda é muito difícil de determinar, mas há milhares de nossos cidadãos que necessitam de nossa ajuda", afirmou Bligh, citada pela agência AAP.

As enchentes já custaram 1 bilhão de dólares australianos (R$ 1,6 bilhão) para o setor de mineração local -que fornece a metade da demanda mundial de coque da indústria do aço.

Segundo o ministro de recursos do Estado, a indústria está perdendo 100 milhões de dólares por dia.

"Nossas minas estão paralisadas em 75% de sua produção devido ao alagamento, e isso significa um grande impacto nos mercados internacionais e na produção global de aço", disse Bligh, para quem "este desastre é sem precedentes".

Os serviços de emergência temem epidemias e a proliferação de mosquitos vetores de doenças diante dos alagamentos.

Comentários

Comentários