No meio a uma grande turbulência que culminou com a saída de Rubito Ribeiro da Prefeitura de Bauru e de Luiz Nunes Pegoraro, da Secretaria Municipal dos Negócios Jurídicos, no início de outubro de 2010, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) convidou para seu time Giasone Candia e Isaias Daibem para recompor o Gabinete.
O objetivo era deixar o gabinete mais político, melhorar a interlocução com vereadores e blindar o Executivo. Passados dois meses, Giasone, chefe de Gabinete, e Daibem, assessor do prefeito, avaliam que estão se adaptando às tarefas.
Giasone, que vem do setor privado, do ramo imobiliário, conta que ainda está se adaptando ao cotidiano de uma repartição pública. "É a primeira vez que assumi um cargo público e a cada dia surge uma novidade", observa. Como chefe de gabinete, ele relata que o assessoramento ao prefeito é constante. "É uma rotina de atendimento de munícipes, de pessoas que querem investir na cidade. Mas, as solicitações são as mais diversas", relata.
Porém, ele lembra que o atendimento à população foi facilitado com a inauguração do posto do Poupatempo em Bauru. "É um sistema de primeiro mundo. Como muitas coisas são resolvidas por lá, a procura de munícipes pela prefeitura reduziu drasticamente. Porém, fizemos um trato de atender todas as pessoas que nos procuram. Alguns marcam hora, outros aparecem na prefeitura, mas buscamos atender a todos", ressalta. "Basicamente, o que podemos, procuramos resolver diretamente. Caso contrário, encaminhamos para as secretarias específicas", afirma.
Por sua vez, Isaias representa a trajetória dedicada ao trabalho público. Foi vereador por dois mandatos, secretário municipal de Educação e chefe de Gabinete na primeira gestão de Tuga Angerami, nos anos 80. "É uma grande honra trabalhar com o Giasone, que eu conheci nos movimentos estudantis, na década de 1960. Ele cursando Direito e eu, Filosofia", recorda.
Para ele, a junção da experiência no setor privado de Giasone e a sua no setor público, resultou num "casamento" de sucesso. Assim como o ingresso de duas pessoas com bastante experiência numa administração marcada pela juventude de boa parte de seus secretários, além da do próprio prefeito. "Acredito que a experiência ajuda a avançar", defende Isaias.
Escalado para trabalhar pela maior proximidade com os vereadores, ele relata que a cada sessão da Câmara recebe cerca de cinco pedidos de cada um dos 16 parlamentares. As solicitações vão de iluminação pública a recape e asfalto. "Analisamos e encaminhamos os pedidos para as secretarias relacionadas. A maioria é encaminhada para a Secretaria Municipal de Obras", explica. Apesar da Câmara estar em recesso até o início de fevereiro, Isaías afirma que os requerimentos continuam chegando.
Além disso, os vereadores também encaminham ao Executivo pedidos de informações oficiais, baseados na Lei Orgânica Municipal. Esses requirimentos são despachados por Giasone para as secretarias competentes. "Os secretários costumam obedecer os prazos estabelecidos", aponta o chefe de gabinete.
Vereador na época da ditadura militar no País, Isaias avalia que, atualmente, os legisladores municipais estão limitados em sua atuação. "Além do papel básico de fiscalizar, pouco podem avançar em outras questões. Por isso, se limitam a fazer indicações e solicitações", observa.
Ainda tentando se acostumar com o trabalho público, Giasone aponta como maior dificuldade a burocracia. "Os processos de licitação são muito demorados. Além disso, a própria estrutura precisa ser melhor", diz. "Procuramos fazer a abertura aos cidadãos e reduzir o número de pessoas que precisam chegar ao prefeito", relata.
Para Giasone, Rodrigo não é centralizador e sim interessado em conhecer a fundo todos os problemas da cidade. "Ele conhece muito bem Bauru. É difícil pegar o prefeito de surpresa em algum assunto referente ao município", afirma.
Por usa vez, Isaias adianta que o Executivo tem o desejo de aumentar as reuniões do secretariado. "O ideal seria reuniões mensais, para se obter uma visão de curto, médio e longo prazo", opina .