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Novo governo e velhos desafios

Ricardo Coube
| Tempo de leitura: 2 min

Assumir o governo federal após o governo Lula é muito mais desafiador do que parece.

Lula esgotou o atual modelo econômico e ele precisará ser reformulado. Moeda valorizado e crédito fácil não mais sustentarão a economia e o seu crescimento.

Também o papel do estado como indutor do crescimento econômico precisa ser revisto. Os gastos públicos cresceram muito acima do PIB e precisarão sofrer grandes cortes para não desequilibrar as contas públicas. Além disso, a inflação está no seu limite admissível e administrável. Também não podemos mais aumentar a carga tributária, que cresceu 10 pontos percentuais nos últimos 16 anos.

Portanto, corrigir o rumo da economia exigirá muito do novo governo.

Politicamente, a herança é preocupante. Dilma segue o modelo e nomeia 37 ministros. Em qualquer modelo no mundo, público ou privado, governar com uma equipe deste tamanho é impraticável. Além disso, o critério de nomeação foi político e muita gente eleita não aparenta ter o perfil correto para este governo cumprir todas as promessas que foram feitas no discurso da posse.

Dilma precisará ter coragem e ousadia para enfrentar reformas que Lula adiou porque não precisou fazer. O país cresceu o suficiente no atual modelo, permitindo que Lula adiasse essas importantes reformas e seus inerentes desgastes políticos.

Dilma anunciou a reforma Política e Tributária. Deveria ter incluído a da Previdência e a Trabalhista. Dilma precisará melhorar o ambiente dos negócios, porque a burocracia e a falta de infraestrutura dificultam o desenvolvimento e crescimento das empresas existentes e novas empresas.

Também precisará levar muito a sério as promessas nas áreas básicas da saúde, segurança e educação. Estes pilares visíveis e sensíveis à população serão importantes para se manter o prestígio político essa popularidade.

Destaco a importância e urgência da infraestrutura. Portos, aeroportos, estradas, via férreas, hidrovias etc estão estrangulados e precisando de muito investimento para resgatar estes importantes gargalos. O dinheiro precisará ser também privado. Dilma precisará se articular politicamente a fim de viabilizar o apoio financeiro necessário para esses investimentos.

Devemos lembrar que assumimos compromissos com a Copa do Mundo e Olimpíadas. Se articular politicamente com este Congresso não é fácil.

Dilma não é política de carreira e o seu prazo não precisa ser apenas a próxima eleição. Ela poderá deixar um legado com objetivos e visão de gerações futuras. É difícil acreditar nisso, mas este é um sonho que devemos ter.

O estilo Dilma deverá ser muito diferente de Lula. Como ela conseguirá avançar nas reformas e modelo econômico a fim de garantir a continuidade do crescimento econômico, empregos, inserção social etc é a grande dúvida que paira no ar. Espero que avance e torço por ela. Mas reconheço que o desafio é enorme. (O autor, Ricardo Coube, é diretor-presidente do Grupo Tiliform)

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