Polícia

Caminhão desgovernado entra em casa

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

O copo de água trazido pela filha sequer fez efeito em meio ao imenso nervosismo de Valdete Fátima Araújo Simões, 52 anos. Na tarde de ontem, ela estava assistindo televisão com o marido em sua residência, localizada na Vila Falcão, quando um caminhão desgovernado invadiu a propriedade. Felizmente, ninguém se feriu.

O veículo de grande porte, que subia pela rua Wenceslau Braz, estava carregado com sucata e, ao descer desgovernado, arrancou parte do telhado, muro e todo o portão da residência, parando somente na garagem do imóvel, localizado na quadra 4 da via. Antes de atingir a propriedade, o caminhão ainda bateu em um carro, que foi arremessado contra outro veículo.

Valdete conta que escutou um grande barulho e, quando olhou pelo vidro, visualizou o caminhão vindo em sua direção.

"Eu não sabia o que fazer. Quando vi o caminhão destruindo tudo e vindo para cima de mim, fiquei desesperada. Fiquei meio perdida. O certo era eu ter corrido para os fundos, porém, o desespero foi tanto que eu corri para a frente de casa, exatamente onde o caminhão estava", conta, complementando que "o maior medo era de que, com o impacto, a casa acabasse desabando".

Além de Valdete, na residência ainda estava seu marido, Paulo César Simões, 56 anos. Mais revoltado do que assustado, ele culpa o motorista do caminhão.

"O carro da minha filha sempre fica aqui na garagem. Hoje, ele não estava. Ainda bem, pois o prejuízo seria bem maior. Quando ocorreu a colisão, eu olhei na cabine e parecia que ele estava dormindo", acusa.

Também bastante nervoso, Orlando Silva, 52 anos, que dirigia o caminhão, placas DAJ 1741, de Guarulhos, afirmou não ter dormido ao volante, entretanto, não soube explicar o que aconteceu.

"Eu trabalho há mais de 30 anos como motorista. Nunca sofri um acidente. O susto foi grande. Eu estava subindo e o caminhão começou a descer. Acho que não consegui engatar a marcha direito. Não sei dizer o que aconteceu. Quando vi, já estava dentro da casa".


Confusão

Questionado se poderia ter passado mal enquanto conduzia o caminhão, ele não descarta tal hipótese, porém, reafirma que não consegue lembrar do momento exato do acidente. O motorista ainda usa a mesma alegação para uma possível falha mecânica do caminhão.

Uma mulher, que preferiu não se identificar, afirmou que viu quando o caminhão começou a descer. De acordo com ela, o veículo parou na esquina - cerca de 30 metros acima da residência atingida - e foi exatamente nesse momento que começou o problema.

"Ele parou bem aqui (na esquina). O motorista não estava dormindo. Eu vi que o caminhão começou a descer e ele dava uma espécie de ?tranco?. Achei que iria parar, mas isso não aconteceu", relata a testemunha.

"Foi realmente algo assustador. Eu escutei a batida e o alarme do meu carro já disparou. Daí por diante ouvi um monte de ferro batendo. Parecia que estava passando uma locomotiva pela rua", relembra Cássio Kléber da Silva, 47 anos.


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Saldo

Dois veículos danificados e a frente inteira da residência na quadra 4 da rua Wenceslau Braz destruída. Esse foi o saldo do acidente, que felizmente, resultou apenas em prejuízos materiais.

Para Valdete Fátima Araújo Simões, dona da casa atingida, é exatamente isso que fica: um dia extremamente assustador.

"Toda vez que escutar um barulho forte vou me lembrar disso. Mas, ainda bem que foram somente esses danos materiais. Hoje, com 52 anos, passo a contar de novo minha vida. Olhando o que aconteceu, vejo que nasci de novo", conclui a mulher, ainda com as mãos trêmulas.

A Polícia Científica esteve no local para realizar a perícia sobre o acidente. De acordo com os policiais que atenderam a ocorrência, será elaborado um laudo no veículo para apontar se houve alguma falha mecânica.


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?Estava no portão pouco antes do fato?


Ao olhar a grade do portão da casa toda destruída abaixo do grande caminhão, Silvia Conte, 53 anos, não acredita no que ocorreu e ainda tem muito a agradecer. Por uma questão de segundos, ela não foi vítima de uma tragédia.

"Eu estava esperando a minha patroa encostada bem nesse portão segundos antes do caminhão bater aqui. Foi o tempo de eu sair e ele vir contra a casa".

Segundo Silvia, o caminhão funcionava quando começou a descer e o motorista não parecia estar desacordado. De acordo com ela, "o veículo estava ligado. Não vi ele dar ?trancos?, como disseram, e nem que o motorista estava dormindo. Somente reparei que ele ficou uns dois minutos sem sair depois do acidente. Parecia não acreditar no que havia acontecido".

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