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Doação de órgãos é baixa em Bauru

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

A Secretaria de Estado da Saúde divulgou dados animadores que mostram o número de transplantes de órgãos. Na última década, eles triplicaram no Estado de São Paulo e em 2010 bateram recorde histórico. Porém, na região de Bauru o volume de doação de órgãos ainda é muito baixo, apesar de registrar elevação nos últimos anos.

Na região, o controle sobre possíveis doadores é feito pelo Serviço de Procura de Órgãos e Tecidos (SPOT) da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB). Em 2010 foram notificados 92 possíveis doadores, com 16 doadores viáveis.

No ano passado esses números eram de 56 e 9, respectivamente, representando crescimento de 64% e 77%. O aumento é considerado expressivo, pois no Estado de São Paulo as taxas foram de 6,7% e 23,5%. Foram feitos 2.328 transplantes no ano passado contra 1.975 em 2009. No ano 2000 foram 887 ao todo. No entanto, a eficácia no diagnóstico de mortes encefálicas e a notificação de possíveis doares ainda é um desafio.

Os transplantes de rim correspondem a mais da metade dos procedimentos executados em 2010 no Estado, chegando a 1.439, seguido pelo de fígado (656), coração (77), pâncreas (99) e pulmão (9).

A Secretaria de Saúde não divulgou o número de cirurgias de transplantes de órgãos realizados em Bauru, pois as informações mais relevantes dizem respeito ao número de notificações de possíveis doadores e ao de doadores efetivos.


Notificações

Segundo Reginaldo Carlos Boni, coordenador do SPOT em Botucatu, os números da região podem ser comemorados, mas ainda há muito o que ser feito.

"No Estado, contamos com projetos bem sucedidos que facilitaram, de forma segura, o diagnóstico da morte cerebral, além de um sistema eficiente de transporte dos órgãos. No entanto, os números também apontam que os resultados poderiam ser bem melhores, pois ainda existem 13 mil pessoas esperando por órgãos no Estado", explica.

Boni afirma que a baixa notificação de possíveis doadores por parte das equipes médicas dos hospitais é o principal fator que impede um crescimento maior no número de transplantes. "A cada seis possíveis doadores, somente um é notificado", estima.

Ele explica que, para a doação acontecer, os órgãos precisam ser retirados antes da parada cardíaca do doador. Por isso é fundamental que o diagnóstico da morte encefálica seja feito no tempo correto. "Ela é constatada quando as funções cerebrais são perdidas de forma definitiva e irreversível", afirma o coordenador do SPOT.

Segundo Boni, a região de Bauru, entre outras dez no Estado, é a última colocada em número de notificações. Na tentativa de contornar a situação, as cidades da região estão sendo visitadas por uma equipe do SPOT, que vai verificar a realidade e as necessidades dos hospitais, propondo uma metodologia de trabalho para as notificações.


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Famílias da região se recusam a doar

De acordo com o coordenador do Serviço de Procura de Órgãos e Tecidos (SPOT) de Botucatu, Reginaldo Carlos Boni, outro problema enfrentado para a ampliação do número de doadores na região é a recusa da liberação dos órgãos.

"Para ser doador hoje, a pessoa precisa apenas comunicar a família se quer ou não que seus órgãos sejam doados", explica.

Boni lembra que a doação de órgãos pode salvar vidas. "A população precisa saber que esse é um procedimento responsável, sério e ético. Quando um profissional solicitação a liberação dos órgãos aos familiares, eles podem ter certeza que a morte do possível doador é irreversível", afirma.

A destinação dos órgãos doados é controlada pela Central Estadual de Transplantes, ligada à Secretaria Estadual de Saúde, que, a partir de um sistema completamente informatizado e inviolável, sem interferências políticas ou econômicas, seleciona os receptores e doadores de acordo com os critérios para cada órgão.

Reginaldo Carlos Boni explica que os receptores de órgãos têm garantidos pelo SUS a realização dos transplantes, bem como todo medicamento necessário após a cirurgia pelo resto da vida. "Não podemos dizer que é de graça porque pagamos muitos impostos por isso, mas temos que ressaltar a qualidade do serviço", ressalta.


Córnea

Os transplantes de córnea não foram incluídos nos dados divulgados pela Secretaria de Saúde, pois nesses casos, os órgãos podem ser retirados mesmo após a parada cardíaca dos doadores. Em 2009 foram realizados 5.686 transplantes de córnea no Estado.

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