Brasília - Em meio à polêmica sobre a criação da Comissão da Verdade, o ministro Nelson Jobim defendeu ontem a anistia dos crimes cometidos durante o período da ditadura -seja por militares ou militantes de esquerda. Em entrevista ao programa "Bom dia Ministro", veiculado pela estatal EBC (Empresa Brasil de Comunicação), Jobim disse que apoia a criação da comissão para apurar a "verdade" do que ocorreu na ditadura.
O ministro, porém, criticou a abertura de processos criminais para investigar ações cometidas na época -inclusive no que diz respeito ao desaparecimento de guerrilheiros do Araguaia. "O conhecimento da verdade tem todo apoio do ministro da Defesa e de toda estrutura do Ministério da Defesa. O que não temos e não podemos ter tendo em vista a decisão do Supremo Tribunal Federal em relação à Lei da Anistia é a pretensão da retaliação deste passado", afirmou.
Segundo Jobim, os processos criminais que possam atingir os eventuais envolvidos na ditadura estão encobertos pela Lei da Anistia. Em relação à criação da Comissão da Verdade para analisar fatos ocorridos na ditadura militar, Jobim disse que o texto em tramitação no Congresso tem o apoio do Ministério da Defesa.