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Gratidão é chave para o bem-estar

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

O início de um novo ano é o momento de reflexões para algumas pessoas. É quando se põe na balança as perdas e conquistas do ano anterior e as expectativas do ano que se abre inteiro à frente. Para fechar bem este período e começar o próximo melhor ainda, um simples obrigado pode fazer toda a diferença.

É o que garante a médica e psicanalista Soraya Hissa de Carvalho. Segundo ela, agradecer é um ato nobre que precisa ser praticado diariamente. Ao reconhecer e valorizar as coisas boas que aconteceram no ano que se passou, as perspectivas de um futuro melhor ganham novas e promissoras dimensões.

Talvez seja por isso que o Dia da Gratidão é comemorado logo na primeira semana do ano, mais precisamente no dia 6 de janeiro, ou seja, quinta-feira passada.

Sob o ponto de vista médico, Soraya diz que está provado que os pensamentos positivos são benéficos para a saúde. Segundo ela, os sentimentos, como a gratidão, surgem no cérebro, numa região específica denominada sistema límbico, responsável pelas emoções.

Quanto mais esse sistema produz substâncias químicas cerebrais, chamadas de neurotransmissores, maior será a sensação de paz e harmonia entre corpo e mente.

"Eu sempre falo que quando somos gratos a uma pessoa ou por algo que nos aconteceu estamos fazendo um bem a nós mesmos", diz a psicanalista. Ela justifica dizendo que, ao desenvolver esse sentimento nobre, que é a gratidão, a pessoa torna-se mais agradável na convivência com outros, e consequentemente passa a ser mais procurada pelos colegas.

Segundo Soraya, palavras como "com licença, perdão, desculpa e obrigado" deveriam ser usadas com mais frequência. No entanto, o que se vê é o contrário. Esses termos estão caindo em desuso. "Sentimentos que consideramos nobres, como amor, respeito, gratidão e solidariedade, têm sido substituídos pela competitividade e pelo alto grau de violência. As pessoas estão passando por cima das outras. Cada um quer lucrar mais do que o outro", lamenta.

Para a psicanalista, o reconhecimento tem sido deixado de lado, ultimamente. Na opinião dela, as pessoas não estão enxergando o que o outro faz de bom nem as coisas boas que acontecem com elas. O egoísmo tem predominado.

"As pessoas acham que para sobreviver têm de endurecer, tornar-se egoístas, invejosas, passar por cima do outro, sem o mínimo de respeito. As pessoas estão se tornando feras", observa.

Soraya explica que tanto o egoísmo quanto a gratidão fazem parte de todo ser humano. A intensidade com que são usados no dia a dia é o que vai determinar se um se sobressai mais que outro.

"Nós temos de aprender a cultivar os sentimentos bons o tempo todo. Tem de ser um exercício diário. É como uma planta que precisa ser adubada e regada todos os dias, sob risco de murchar e morrer dando lugar às ervas daninhas (sentimentos negativos)", compara.

Em tempo, quem não parou para refletir sobre seu nível de gratidão na última quinta-feira, poderá fazê-lo hoje, amanhã ou depois. O importante é que isso seja feito. "Não importa o dia, o importante é que seja feita a reflexão. Isso vale para a vida toda", diz.

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