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Setor de petróleo brasileiro precisará treinar 212 mil profissionais até 2014


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Rio - Além da falta de estrutura e capacidade produtiva na indústria, é preocupante no setor de petróleo a falta de mão de obra qualificada para atuar no setor, segundo especialistas. Estimativas do governo indicam que é preciso treinar 212 mil pessoas de 2010 a 2014 para atender ao crescimento da demanda da Petrobras prevista para o período.

Esta conta, feita pelo Prominp (Programa de Mobilização da Indústria Nacional do Petróleo), pode ser considerada até mesmo conservadora, já que não considera a demanda por esta mão-de-obra especializada entre outras petroleiras nacionais e estrangeiras que devem aumentar suas atividades no país nos próximos anos.

Para o professor de Engenharia do Centro Técnico Científico da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio), Eduardo Tadeu, além da necessidade de formar rapidamente este exército de engenheiros, há um fator preocupante no imenso intervalo não só etário, mas de conhecimento tecnológico existente entre os técnicos mais antigos da Petrobras e os que estão saindo hoje das universidades. "O problema é que a escassez deste tipo de trabalhador faz com que o rapaz que sai da faculdade assuma um cargo elevado, que em condições normais levaria anos para chegar."

Isso faz, segundo o professor, com que o recém-formado tenha o conhecimento para lidar com a última tecnologia, mas para aplicar corretamente esta técnica ele ainda precisa da experiência acumulada dos engenheiros "cabeças brancas", como são chamados os técnicos de alto gabarito aposentados ou por se aposentar.

"O ideal é que ambos se completem em seus diferentes níveis de conhecimento", avalia o professor, destacando que hoje o que tem sido comum é a troca de experiências com profissionais internacionais. "O interessante é aumentar este intercâmbio para que o conhecimento tecnológico já existente nos outros países migre para o Brasil."

Para o sócio da área de Petróleo & Gás do Trench, Rossi e Watanabe, Joaquim de Paiva Muniz, há interesse de médios players, principalmente de fornecedores de serviços e tecnologias, em fornecer para a indústria no Brasil, mas as principais dúvidas relacionadas à mão de obra são: se a legislação brasileira permite trazer profissionais qualificados para trabalhar aqui e como funciona a obtenção de visto. Alguns players, segundo ele, demonstraram interesse até mesmo em investir na formação de profissionais brasileiros.

Considerando que apenas o Plano de Negócios 2008-2012 da Petrobras apresentava uma lacuna de Recursos Humanos de 112.625 pessoas, dos quais 78.302 profissionais qualificados, há segundo Muniz um "gap" que aumentou para mais de 200 mil profissionais nos últimos dois anos.

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