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Poluição cai com expansão do etanol

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 6 min

Dados divulgados pela Secretaria de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo mostram a redução na emissão de gás carbônico (CO2) em Bauru por conta da queda no consumo de derivados de petróleo utilizados como combustível. Entre 2007 e 2009, o consumo de gasolina automotiva sofreu queda de 8% na cidade. Para o diesel, combustível mais consumido no País, a diminuição foi de 12,5% nas ruas de Bauru.

Na contramão, a venda de etanol aumentou 78%, chegando aos 109 milhões de litros nos postos bauruenses, contra 105 milhões de diesel e 60 milhões de gasolina. Essa foi a primeira vez que o óleo diesel foi superado pelo etanol, combustível mais limpo e que polui até 89% menos a camada atmosférica.

Embora a indústria automobilística esteja em alta com o constante aumento do número de carros nas ruas (em agosto de 2010, Bauru chegou à marca de 200 mil veículos em circulação), a mudança na escolha do combustível pelos motoristas tem colaborado com a redução da emissão de CO2, o principal vilão do efeito estufa, fenômeno responsável pelo aquecimento do planeta. Em 2007, a emissão foi de 509 mil toneladas em Bauru, caindo para 500 mil em 2008 e para 457 mil em 2009.

Segundo o secretário municipal do Meio Ambiente, Valcirlei Gonçalves da Silva, os números mostram que o programa nacional de incentivo ao etanol funcionou e contribuiu muito para a redução na emissão de gases poluentes. "Precisamos agora de projetos que incentivem a utilização do transporte público e a prática da carona solidária. Temos como objetivo acompanhar as diretrizes para os municípios que possuem o Selo Verde", afirma.

Valcirlei conta que a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) iniciou diálogo com a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) para que os próximos contratos exijam que os veículos responsáveis pelo transporte coletivo sejam movidos a etanol. "Internamente, temos o controle da frota da secretaria com constantes regulagens no motor e aquisição de carros flex, que podem utilizar o álcool", relata.

Para a secretária executiva do Instituto Ambiental Vidágua, Maria Helena Beltrami, todas as ações que colaborem com a redução de CO2 na atmosfera são válidas. No entanto, ela acredita que a principal transformação precisa partir das atitudes cotidianas dos cidadãos. "Hoje está na moda discutir a questão ambiental, mas as práticas são incoerentes. Todos pensam que os governos e a sociedade precisam agir de forma concreta em defesa da questão ambiental, mas a maioria não olha para si e não reflete nas consequências do lixo que produz, da água que desperdiça etc", aponta.

Para a advogada e ambientalista, o aumento no consumo de etanol como combustível não está relacionado aos seus benefícios à saúde do planeta. "Tenho convicção de que a questão econômica prevalece, pois o álcool é mais barato", afirma.


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Queda do óleo não é tendência nacional

Segundo Ildo Sauer, ex-diretor da Petrobras e professor da Universidade de São Paulo (USP), o etanol é mais vantajoso na relação custo-benefício ao longo da maior parte do ano no Brasil. Ele observa, no entanto, que a superação do diesel pelo etanol trata-se de um fenômeno isolado e localizado em Bauru.

"O álcool é utilizado por veículos de pequeno porte, enquanto o diesel é destinado ao transporte de cargas e passageiros. No momento aquecido da economia, o óleo diesel está sendo muito consumido nesses setores", explica.

Sauer aponta uma combinação de dois fatores para a formação deste quadro específico em Bauru. O primeiro deles é o aumento do poder de consumo, que fez crescer a aquisição de veículos novos movidos a álcool. O outro são as características favoráveis do Interior de São Paulo para a produção do etanol. "A competição deste combustível com a gasolina não é mais novidade. Caso não haja mudanças nas resoluções do preço, até 2015 a gasolina pode ser praticamente extinta do mercado", afirma.

O professor aponta, porém, que a popularização do etanol no Brasil não é refletida na esfera global. "Os países são muito dependentes do petróleo e do carvão. Esses serão os combustíveis dominantes no mundo até 2030 ou mais", prevê o especialista.

Sauer explica que o preço do barril de etanol no mercado mundial gira em torno de US$ 45, enquanto o de petróleo custa cerca de US$ 10. "A lógica capitalista não permite a viabilidade do etanol. O petróleo do pré-sal deve ser destinado, em sua maior parte, ao mercado externo", acredita.

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Os perigos do ar poluído


Segundo informações da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), as emissões causadas por veículos carregam diversas substâncias tóxicas que, em contato com o sistema respiratório, podem produzir vários efeitos negativos sobre a saúde. Essa emissão é composta de gases como monóxido de carbono (CO), óxidos de nitrogênio (NOx), hidrocarbonetos (HC), óxidos de enxofre (SOx), material particulado (MP) etc.

O contato dessas substâncias com o organismo humano pode ocasionar mal estar, irritação dos olhos, da garanta e da pele, dor de cabeça, enjoo e bronquite.


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Custo-benefício é principal critério


A relação custo-benefício é o principal critério para escolha do combustível na hora de abastecer os carros flex. Para concluir qual é a melhor opção, o consumidor deve dividir o preço do litro do álcool pelo preço da gasolina. Se o resultado for maior que 0,7, deve optar pelo segundo combustível. Se for inferior, é melhor ficar com o álcool.

De acordo com os valores médios divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o resultado deste cálculo já chegou a 0,67 em Bauru.

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Fala-povo: ?Qual combustível você usa para abastecer seu carro? Por quê??


"Meu carro é flex, mas eu acho que gasolina rende muito mais. A gente não leva muito em conta a questão ambiental até por falta de conhecimento e o que pesa mesmo na hora da escolha é o custo-benefício"

Elisa Gatti Texeira, 58 anos, dona de casa

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"Eu uso o álcool porque é o combustível mais econômico. Essa questão fez toda a diferença na hora de escolher qual carro comprar. Essas economias do dia a dia ajudam nas finanças do mês"

Jane Aruth, 48 anos, cabeleireira

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"Os meus planos são de trocar o meu carro a gasolina por um flex para poder sempre escolher qual o combustível que vale mais a pena porque depende muito do lugar do País e da época do ano"

Edson Kutait, 44 anos, Operador de estação aeronáutica

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"No carro flex, a gente quase sempre opta pelo álcool porque é bem mais econômico, mas de vez em quando, meu marido coloca um pouco de gasolina porque ele diz que é bom"

Priscila Correia da Silva, 26 anos, vendedora

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"Depende muito do preço de cada um dos combustíveis. Como eu rodo bastante com meu carro, quase sempre vale mais a pena abastecer com álcool, mas em períodos de alta aguda no preço, eu uso a gasolina"

Maurício Lima, 48 anos, taxista

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"Meu carro era a gasolina, mas eu transformei para usar o etanol. Hoje eu estou no prejuízo porque o álcool está um pouco caro, mas isso é cíclico porque tem épocas do ano que vale muito a pena"

Ricardo Aparecido Boneti, 33 anos, ajudante geral

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