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Família suspeita de negligência em morte no PSC

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Desesperado, José Paulo Ferreira dos Santos, 21 anos, chegou ao Pronto-Socorro Central (PSC) de Bauru por volta das 15h de domingo com sua mãe, Neuza de Souza Meira, 60 anos, com dores no peito. Uma hora e meia depois ela morreu em seus braços. A causa do óbito foi infarto agudo do miocárdio.

Revoltado, ele acusa o PSC de negligência no atendimento à sua mãe, que na avaliação dele, foi muito demorado. José Paulo conta que a unidade estava lotada quando chegou e que Neuza foi atendida às 16h, depois de passar pela avaliação de uma enfermeira.

"A enfermeira mediu a pressão dela e disse que ela estava ótima e ia passar pelo médico. Impossível, porque minha mãe era hipertensa", questiona José Paulo. Segundo ele, Neuza começou a ficar cada vez mais pálida, as dores aumentaram e ela começou a demonstrar sintomas de convulsão.

"Eu disse para o médico fazer alguma coisa que a minha mãe estava muito mal. Ela estava nos meus braços e me disse: ?Filho, estou indo?. E morreu. Eles não fizeram nada. A enfermeira que mediu a pressão dela estava rindo (logo depois do ocorrido)", critica José Paulo.

Sem declaração de óbito e sem saber as causas da morte de sua mãe, só restava velá-la. O corpo de Neuza foi levado para a Funerária São Vicente, onde recebeu as últimas homenagens de parentes e amigos. Foi sepultada ontem no cemitério do Jardim Redentor, em Bauru.

Ontem à tarde, com o laudo em mãos, José Paulo informou à reportagem que a causa da morte foi detectada como infarto agudo do miocárdio, hipertensão e tabagismo.

O secretário municipal da Saúde, Fernando Monti, que também é médico infectologista e está substituindo o diretor do Departamento de Emergência e das Unidades de Pronto-Atendimento de Bauru, Luiz Antonio Bertozzo Sabbag - que está em período de férias -, lamentou o caso. "Eu gostaria primeiramente de dizer que estou muito sensibilizado com essa situação e de expressar meus sentimentos à família", disse.

Monti frisa que, de acordo com a ficha de prontuário médico de Neuza, ela deu entrada às 16h no PSC, momento em que passou por uma triagem.

"Nessa triagem foram checados os sinais vitais dela: pressão, pulso, temperatura. Tudo estava normal. Foi medido até o nível de oxigênio no sangue, que também estava dentro das normalidades assim como sua glicemia", destacou.

Com sua experiência médica, ele explica que um quadro como esses pode mudar em apenas 20 minutos, como aconteceu com Neuza. "Todos os sinais vitais estavam normais. Na ficha dela não consta que ela estava com dores no peito e sim com dor epigástrica, que seria uma dor estomacal. Mesmo assim ela foi atendida por dois médicos em seguida, coincidentemente um deles é cirurgião cardíaco", acrescentou Monti.

José Paulo não se conforma com o atendimento recebido no PSC e disse que buscará outros meios para entender o que aconteceu com sua mãe. Ontem ele tentou registrar boletim de ocorrência (BO) na Polícia Civil.

"Não consegui registrar porque fui informado de que, por lei, eu só poderia fazer o BO se tivesse um laudo de outro médico contestando a causa da morte", lamentou. "Eu vou até o fim porque muitas pessoas já morreram assim no Pronto-Socorro Central", acrescentou.

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Necrópsia


José Paulo Ferreira dos Santos, filho de Neuza de Souza Meira, 60 anos, que faleceu no Pronto-Socorro Central de Bauru na tarde do último domingo, também questionou o fato da família ter autorizado a necrópsia no corpo de sua mãe e depois o procedimento não ter sido realizado.

Entretanto, o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, explicou que a necrópsia não foi necessária. "Toda vez que um caso é encaminhado ao Serviço de Verificação de Óbito (SVO), por precaução já é solicitada autorização para a necrópsia caso seja verificada a sua necessidade. Neste caso, os elementos clínicos foram suficientes para estabelecer a causa da morte, por isso, o procedimento não foi feito", explica.

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Relações humanas

O que a maioria das pessoas reclama no Pronto-Socorro Central (PSC) de Bauru não é tanto a estrutura, e sim a relação entre funcionários e pacientes e a constante falta de médicos. José Paulo Ferreira dos Santos, filho de Neuza de Souza Meira, 60 anos, que faleceu na tarde de domingo depois de dar entrada na unidade, critica o modo com que foi recebido.

"Primeiro não vinha ninguém atender a gente. Depois policiais me seguraram porque eu estava reclamando da demora no atendimento. Mais tarde, quando minha mãe veio a falecer, a enfermeira que checou sua pressão estava rindo. Eu acho um descaso o modo com que eles nos recebem", criticou.

O secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, que também é médico infectologista, diz que pretende reverter essa situação com a implementação de um projeto futuro. "Nós precisamos melhorar essa relação inter-humana, que atrapalha muito o atendimento no Pronto-Socorro Central. Precisamos melhorar o atendimento dos funcionários no local, e tem que ser já. Vamos implementar esse projeto em breve", revelou.

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