Nos últimos anos, a modernização tecnológica das máquinas agrícolas vem trazendo às cidades milhares de desempregados do campo à procura de trabalho. Famílias inteiras perderam espaços e passaram a amontoar-se na periferia das cidades sem qualquer alternativa de ganhos, tendo ao alcance apenas serviços domésticos e/ou braçais da construção civil. Atualmente, temos este exemplo em nossa cidade. Sem qualificação adequada, estes trabalhadores provindos de zonas rurais ou de cidades da região entrariam na estatística do desemprego se não fossem instantaneamente incluídos na construção civil, misturando-se aos experientes e técnicos atuantes no mercado. Desde meados de 2008, Bauru vem passando por uma reestruturação vertical. Basta ver a chegada de inúmeras construtoras explorando o mercado popular, levantando casas e prédios em tempos recordes, auxiliados pelos planos de moradia cedidos pelo governo federal, um verdadeiro “boom” imobiliário que em poucos meses alavancou os preços do setor em mais de 80%. A dúvida agora está na qualidade destas construções (muitas ainda não foram entregues) já que poucos conseguem presenciar e acompanhar passo a passo, o dia a dia, de cada etapa da construção. Economicamente, o saldo fica positivo, são gerações de empregos e rendas às famílias até então desassistidas. Porém, nessa mesma categoria existem aqueles com anos e anos de experiência, com dezenas de obras no currículo, e que não aceitam receber o mesmo valor diário que um trabalhador que traz somente a mão de obra, o que aumentou substancialmente o teto salarial destes profissionais (incentivados também pelo aumento dos valores finais de moradia). Na região de Ribeirão Preto, por exemplo, pólo produtor de cana-de- açúcar do Estado de São Paulo, algumas construtoras estão contratando todos os ex-bóias-frias para trabalhar como auxiliares nos canteiros de obras. “É só andar por Ribeirão Preto para perceber a quantidade de obras em execução. A mão de obra especializada, como pedreiro, encanador e eletricista, está em falta faz tempo. Estamos contratando todos que chegam com alguma experiência comprovada”, avalia Francisco Galli, técnico de segurança do trabalho da construtora Pereira Alvim. Desta forma, as constantes mudanças no panorama econômico exigem uma nova estrutura de ensino, não apenas em nível superior, diploma, mas em níveis técnicos, a prática. De que adianta formar inúmeros engenheiros se não temos qualificação no mestre de obras, no pedreiro, no encanador, no eletricista, no pintor, no marceneiro, no aplicador de gesso. Caso não haja esse incentivo de forma pública, deverá ser de forma privada. Estes novos trabalhadores da construção civil deverão ser qualificados tecnicamente antes ou durante o início da função e, gradativamente, incluídos no mercado, nem que para isso seja necessário vincular estes trabalhadores sob contratos de exclusividade e/ou tempo de trabalho, justificando o investimento do empresário. Os resultados de uma obra mal feita todos nós conhecemos: paredes e pisos mal assentados, azulejos e pinturas que se soltam, rachaduras e vazamentos que colocam em risco não somente a construção, mas o dinheiro investido no bem e a vida de quem pagou caro por ele. O autor, Jorge Martins, é economista, MBA Finanças/Controladoria pela ITE-Bauru
escolha sua cidade
Bauru
escolha outra cidade