Botucatu ? A forte chuva que atingiu novamente a região na madrugada de ontem voltou a provocar estragos em Botucatu (100 quilômetros de Bauru). A cabeceira da ponte sobre o ribeirão Lavapés, na estrada que dá acesso à área histórica da Fazenda Lageado e à rodovia Alcides Soares ? que liga o município à Vitoriana e Rio Bonito ? ficou comprometida. Com isso, até realização de laudo técnico, o tráfego de caminhões e veículos pesados no local está suspenso.
A medida foi adotada pela diretoria da Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) da Unesp, responsável pela manutenção do trecho, com o objetivo de prevenir eventuais acidentes. A universidade também pede aos condutores de veículos leves que busquem rotas alternativas até que um engenheiro da Unesp de São Paulo faça vistoria determinando o verdadeiro grau de comprometimento da estrutura da ponte.
De acordo com o vice-diretor da faculdade, José Matheus Perosa, um engenheiro da Unesp de Botucatu já fez a vistoria preliminar no local. Ele conta que, agora, aguarda análise por parte de um profissional da prefeitura e do engenheiro de São Paulo, que é especialista na área. Segundo ele, até o momento, o Executivo não atendeu o pedido da diretoria da FCA. Em relação ao início das obras de manutenção na cabeceira da ponte, o vice-diretor explica que também não há previsão. De acordo com ele, todos os serviços de responsabilidade do câmpus de Botucatu dependem do envio de recursos por parte da reitoria, o que demanda algum tempo. Como a estrada também é utilizada como via de acesso a distritos do município, ele revela que vai pedir apoio da prefeitura para a realização dos serviços de reparo na cabeceira da ponte.
Outros estragos
Também em Botucatu, em razão da chuva forte da madrugada de ontem, a Guarda Civil Municipal (GCM) e a Defesa Civil atenderam várias ocorrências de inundação.
No Bairro Alto, parte do muro da garagem do transporte escolar desabou, atingindo um dos veículos e danificando parte do teto traseiro. Outros veículos próximos foram arrastados pelas águas, colidindo entre eles. A iluminação na região também foi comprometida com a queda de um poste de energia elétrica.
Na região do ribeirão Lavapés, um morador teve sua residência alagada. O mesmo ocorreu no Jardim Bom Pastor, onde uma pessoa denunciou que obras realizadas no imóvel vizinho teriam contribuído para o alagamento de sua residência.
Nas ruas Santos Dumont, Antônio Bernardo e Coronel José Vitoriano Villas Boas, por volta das 3h20, a GCM atendeu mais três casos de residências que foram inundadas pela água da chuva, com danos materiais.
Na avenida Vital Brasil, em frente ao Terminal Rodoviário e Ginásio de Esportes da Associação Atlética Ferroviária, trecho conhecido pelos constantes alagamentos, um carro foi arrastado em razão do transbordamento do Rio Água Fria.
O motorista foi retirado do veículo com ajuda da GCM e de policiais militares. Pontos de alagamento também foram registrados no Elevado Bento Natel e nas avenidas Leonardo Villas Boas e Dante Delmanto.
A chuva não poupou nem mesmo a torre de TV do Jardim Paraíso, gerando danos ao transmissor da Rede TV (canal 42), o que deixou a emissora temporariamente fora do ar.
"Estou tentando contato com o setor técnico da emissora para que eles possam vir à cidade providenciar os reparos. Mas, por enquanto, não existe prazo para que o canal volte ao ar", explica Ilson Tavares, operador da torre de TV.
Passeios suspensos
Em Barra Bonita (68 quilômetros de Bauru), as fortes chuvas que atingem a capital, com reflexos no Interior do Estado, provocaram a interrupção temporária de passeios turísticos e da eclusagem na barragem do rio Tietê.
Pedro Mesquita, gerente operacional da empresa Navegação Fluvial Médio Tietê, explica que o nível do rio, ontem, variava entre 3,3 e 3,5 metros acima do normal em alguns trechos.
A suspensão dos passeios ocorreu na última sexta-feira, segundo ele, para garantir a segurança e o conforto dos turistas. Com o aumento da vazão, os barcos estavam passando muito próximos às pontes, oferecendo riscos aos usuários.
De acordo com Mesquita, ainda não há previsão para que os passeios sejam retomados já que, ontem, a barragem da cidade teria entrado novamente em estado de atenção, com volume de água de 2 mil metros cúbicos por segundo. O nível acima de 1,8 mil metros cúbicos por segundo, segundo ele, já impossibilita uma navegação segura. O gerente operacional da empresa de navegação revela que, somente nos últimos cinco dias, deixou de atender cerca de mil turistas, com prejuízos que podem chegar a R$ 70 mil.