Os motores flex são um motivo de orgulho para a indústria automotiva brasileira pelo pioneirismo mundial. A primeira geração era basicamente um software de gerenciamento e sistemas eletro-mecânicos otimizados, que identificavam a proporção de cada combustível na mistura e informavam a centralina. A segunda geração trouxe uma evolução na leitura e interpretação das informações obtidas dos sensores e a melhoria significativa da partida a frio. Agora se avizinha o lançamento de uma 3ª geração, que introduz novos bicos injetores. A Magneti Marelli está desenvolvendo novos bicos injetores específicos para motores flex, conhecidos como Pico Eco. São fabricados em plástico de engenharia injetado, portanto são incorrosíveis. O processo de injeção de plástico utilizado para a confecção dos bicos permite uma arquitetura interna otimizada para uma melhor e maior atomização do combustível antes de sua injeção na câmara de combustão. O sistema completo Pico Eco compõe-se dos bicos de plástico, do software de gerenciamento e do sistema de partida a frio ECS, sem tanquinho de gasolina, até que enfim. O software ficou mais abrangente e controla melhor as funções do motor. Através de sensores específicos espalhados em diversos pontos do sistema, monitora melhor os parâmetros a serem controlados como temperatura, velocidade, teor de álcool, nível de oxigênio, detonação e rotação do motor. Assim, pode dosar a mistura ar-combustível de forma mais eficiente, conforme o teor de cada um dos combustíveis na mistura, além de configurar o motor para queimar esta mistura, como ponto de ignição, ponto e volume de injeção do combustível. Os novos bicos injetores do sistema Pico Eco contam com duas coroas circulares com três furos calibrados por onde passa o combustível. Esta disposição dos furos calibrados promove uma maior atomização das partículas de combustível, ou seja, aumenta muito a pulverização, que permitirá uma melhor e mais rápida queima com benefícios para o desempenho, além de redução no consumo e emissões. O sistema ainda inclui uma flauta otimizada, que dispõe de dois aquecedores elétricos por resistência (como os de chuveiros) instalados nas extremidades da galeria de combustível, para aquecimento da mistura a fim de garantir o perfeito funcionamento do motor em baixas temperaturas. A temperatura de aquecimento é definida conforme a leitura dos sensores e teor de etanol na mistura. Este sistema já está pronto mas ainda não entrou em produção, aguardando a definição comercial das montadoras. É uma evolução significativa, pois vai em direção a uma maior eficiência termodinâmica do motor e consequentemente redução de emissão de poluentes com ganho de potência. Mas tudo isso é sabido e as montadoras introduzem a conta-gotas conforme seus interesses. Se o mercado está aquecido para gasolina, não investem em etanol e vice-versa. Sabemos que a grande vantagem do nosso sistema flex é a possibilidade de optar pelo combustível mais interessante a cada abastecimento, seja por preço, pela qualidade ou até pela disponibilidade local. Isto ninguém no mundo tira da gente. Mas o que sempre ressalto é o fato de um motor flex não ser otimizado para nenhum dos dois componentes da mistura combustível, já que tem que funcionar com ambos em qualquer proporção. Só que cada um deles tem características físicas próprias como taxa de compressão, por exemplo. Desta forma, o ajuste é para que a coisa funcione e isto se dá eletronicamente, seja enriquecendo a mistura ou alterando o ponto ideal de ignição para evitar detonação. Por isso, é feita uma escolha estratégica. Como o etanol é mais barato que a gasolina em boa parte do país, optou-se fazer o motor flex com taxa de compressão mais alta, próxima da ideal para o álcool. A gasolina que se adapte ao motor, com mistura mais rica e ponto de ignição adiantado para não detonar. Se um dia faltar álcool, veremos que nossos motores flex gastam mais que seus equivalentes puros a gasolina, mais otimizados. Quando (e se) um dia nos tornarmos um país sério e voltarmos nossos pensamentos para a coletividade e não para o próprio bolso, entenderemos melhor a vantagem de investir em novas tecnologias mais baratas, ecológicas e sustentáveis como o motor a vapor de álcool, por exemplo
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