Política

DAE corrige proteção em poço alagado

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

Não foi a primeira vez que o único poço do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru que abastece o Núcleo Octávio Rasi alagou depois de uma chuva. De acordo com moradores do bairro, entre 2006 e 2007, um temporal acabou "inundando" o poço e causando o mesmo problema verificado no último sábado: a água começou a chegar nas casas do bairro turva. Mas, na época, o DAE decidiu aumentar a proteção na tubulação do poço, criando uma barreira de 50 centímetros de concreto.

Apenas nesta semana a autarquia se convenceu de que a proteção não foi suficiente para "inundar" a bomba. Ontem, a autarquia aumentou a barreira para 1,70 metro e, é claro, para aproveitar o transtorno causado aos moradores também efetuou outras ações preventivas e de limpeza no equipamento.

Perfurado em 1983, o poço de 218 metros de profundidade e com capacidade de 55 metros cúbicos por hora é o único existente no bairro. Ele foi instalado ao lado do Ribeirão Vargem Limpa, numa área de vale, que também recebe a enxurrada que vem da pista de acesso à rodovia Bauru-Jaú. No último sábado, a área alagou e o poço passou a enfrentar novo problema na operação.

O mesmo problema ocorreu há cerca de três anos ? a autarquia não soube precisar a data do fato. Na época, o DAE decidiu aumentar a proteção na tubulação e a envolveu com uma barreira de 50 centímetros de concreto. No final de semana, o ribeirão não conseguiu suportar a chuva intensa e o fluxo de água que chegava pela via acabou transbordando, superando a "barreira" de 50 centímetros. Ao que tudo indica, a água enlameada entrou pela tubulação e causou problemas no poço.


Água "barrenta"

O resultado foi sentido de imediato pela população. Como em diversas outras ocasiões, a água que chegava pelas tubulações nas residências estava turva. Uma equipe da autarquia começou a trabalhar no problema ainda na noite de sábado. Por isso, o abastecimento no Rasi foi suspenso para o esgotamento e limpeza do poço e retomado no dia seguinte. Porém, ontem os servidores retornaram para tentar uma solução definitiva para o problema e o fornecimento foi interrompido mais uma vez.

A saída elaborada pelo DAE foi aumentar a barreira de concreto que passou a ter 1,70 metro de altura. Também foi realizada a limpeza e desinfecção do poço com cloro, segundo as normas estabelecidas pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) do Estado.

A autarquia ainda informa que também foi feita a necessária limpeza do leito do Vargem Limpa com uma escavadeira, para aumentar a segurança em caso de novas enchentes.


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Abastecimento

Dois caminhões pipas da autarquia foram destinados ao local, para atenderem os moradores. Na tarde de ontem um dos veículos atendia os moradores de uma das travessas da rua Orlando Fernandes da Silva Martha. Érica de Almeida aproveitou o caminhão para encher galões de água. "No domingo, a situação estava pior. A água estava bastante suja. Hoje (ontem) o pior é ficar sem nada na torneira para cozinhar, tomar banho", observa.

Rosilene Moreira lembra que não é a primeira vez que isso acontece. "Há uns três anos sofremos a mesma coisa. A água começou a vir suja e aí para resolver tiveram que deixar a gente sem abastecimento. Na minha casa moramos em três pessoas e fica difícil cozinhar, tomar banho desse jeito", conta.

O comerciante José Carlos Moço, proprietário de um bar no Núcleo Octávio Rasi, conta que teve que chamar o DAE para limpar a sua caixa d?água. "Além, do consumo da minha família, não posso deixar o estabelecimento com água suja", conta. "No domingo, com a água suja, tivemos que comprar água para beber. Também fomos buscar em outros lugares para poder tomar banho", diz. Há 27 anos morando no bairro, ele também afirma que não é a primeira vez que isso acontece. "Em 2007, teve uma enchente bem onde o poço está instalado. A prefeitura precisa dar um jeito nisso", pede.

Até o final da noite de ontem, o DAE contabilizou novas 23 reclamações de moradores sobre falta de abastecimento no bairro. O reservatório do bairro, localizado na rua Augusto Munhoz, quadra 2, já está armazenando a água do poço, mas a expectativa da autarquia é que a situação esteja normalizada nesta manhã.

Outra medida que será executada nos próximos dias é aterrar o entorno do poço, para facilitar a manutenção e ampliar a proteção, conforme explicou o diretor de Divisão de Produção da autarquia, Igor Fournier.


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Repetição do problema

O problema no abastecimento do Octávio Rasi é o segunda caso de interrupção de fornecimento de água em Bauru apenas nos últimos dias. No último dia 5, moradoras das vilas Santista e Nipônica, jardins Solange e Ferraz, parte da Vila Independência e dos residenciais Shangrilá e Jardins do Sul sofreram com a falta de abastecimento.

Apesar do DAE informar que 9.000 pessoas ficaram sem água é sabido que a população dessas áreas é muito superior.

Outro dado conflitante foi sobre a informação oficial do problema. De acordo com a autarquia, a interrupção foi necessária para reparos na guilhotina de um dos registros da Estação de Tratamento de Água (ETA), localizada no Jardim Ferraz. Mas a situação surgiu após problema na intervenção na ETA em outro dispositivo.

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