Somente as palavras não bastam para descrever o que os moradores da favela São Manoel sentem - e continuam sentindo - após a ação de cidadania realizada no final do ano passado. É preciso entender tal sensação. Um exemplo disso é o fato da própria representante do bairro não querer que seu nome seja divulgado.
Em relação à ocupação, ela avalia a iniciativa como positiva, porém, também pede continuidade. "Temos uma carência grande aqui. É algo que precisa ser trabalhado por tempos e tempos. Não adianta vir só alguns dias. O ano tem 365 dias. É disso que precisamos. Precisamos que isso continue".
Além de todos os problemas com segurança e com a criminalidade, ela também reclama do esgoto, que corre bem em frente às residências. "Antes, não tinha esse esgoto assim. Algumas semanas antes da ocupação, eles vieram e deram uma arrumada na rua. Realmente, ficou tudo melhor, mas esse esgoto piorou muito", aponta a representante.
Com 32 anos de idade, sendo que 14 foram vividos na São Manoel, ela é incisiva em pedir mais respeito aos moradores.
"Precisamos ser tratados como gente. Todos os crimes da cidade são culpa da São Manoel e dos moradores daqui. Não é assim. Criaram uma fama ruim para a gente. Além de ajuda dos órgãos públicos e da polícia, precisamos que as pessoas nos vejam como pessoas mesmo", conclui, em forma de apelo.