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A eterna busca pela transcendência

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Seja para entrar no mundo das drogas ou para sair dele, o que o ser humano busca, basicamente, é a transcendência. É ir ao encontro de algo mais poderoso, capaz de provocar sensações de poder, seja ele de caráter material ou espiritual.

A avaliação é do psicólogo Cláudio Salviano, coordenador da triagem para internação involuntária da comunidade terapêutica Esquadrão da Vida, em Bauru. Ele comenta que nessa busca por algo superior, muitos acabam encontrando as drogas. E para se livrar delas, continuam buscando a transcendência no mundo espiritual, em Deus, mais especificamente.

Salviano conta que, nesses seus 20 anos de trabalho junto ao dependentes, tem sido comum ouvir deles relatos maravilhados dos efeitos de uma simples oração, por exemplo. "Quando estão mal, uma oração é capaz de substituir qualquer medicamento ou consulta psicológica", diz.

Mesmo assim, Salviano conta que não costuma falar de Deus com os internos. Segundo ele, existe uma resistência muito grande quando o assunto é religião. Mas, de acordo com o psicólogo, é inegável a importância dos princípios cristãos na recuperação deles. A alternativa, então, é colocar esses princípios em prática sem falar abertamente em Deus e em religião.

"A comunidade não está vinculada a nenhuma igreja, justamente para atender às pessoas de todos os credos. No entanto, nossa base segue os valores cristãos", explica Salviano.

Da mesma forma, a comunidade terapêutica Bom Pastor, em Bauru, tem orientação cristã, mas evita-se falar de religião lá dentro. Para a psicóloga Lindsey Paulo, que trabalha com os internos da comunidade, a prática dos valores cristãos ajuda a harmonizar o aspecto espiritual dos dependentes. "Eles percebem que não estão sozinhos (na luta contra o vício), que existe um ser superior que pode auxiliá-los", diz.

Segundo ela, embora o lado espiritual seja importante para o restabelecimento dos adictos, precisam ser trabalhados também outros aspectos, como o social (trabalho de reinserção dos dependentes), mental e emocional.

De acordo com a psicóloga, o tratamento é dividido em três módulos. O primeiro ajuda os dependentes a conviver com a abstinência. Em um segundo momento, é realizado um levantamento histórico da vida da pessoa para descobrir o que a levou a usar drogas.

E o terceiro módulo trata da reinserção social e familiar. Em média, as três etapas levam seis meses para serem completadas. Depois disso, é feito um acompanhamento para evitar recaídas. Segundo Lindsey, tem pessoas que estão sendo acompanhadas há dez anos, com sucesso.

As comunidades terapêuticas Bom Pastor e Esquadrão da Vida são as duas principais de Bauru para tratamento de dependentes químicos.

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