Geral

Sem esgoto, 11 córregos ?renascem?

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Dos 12 córregos que abastecem o rio Bauru na zona urbana, sete estão em processo de despoluição, ou seja, não recebem mais a carga de esgoto que neles era lançada até há pouco tempo. Outros quatro estão parcialmente despoluídos. Ainda absorvem esgoto, mas em quantidade pequena. E apenas um ainda é castigado com o lançamento indiscriminado de fezes, urina e uma série de matéria desprezível.

Com isso, pelos menos os córregos que deságuam no rio Bauru estão renascendo. A ausência de esgoto trouxe de volta a água cristalina, os pequenos peixes e outras espécies aquáticas que estavam confinadas nas nascentes dos córregos, geralmente livres de poluição.

Essa é uma consequência direta da instalação dos interceptores que tiraram o esgoto dos córregos e passaram a despejá-los direto no rio Bauru. Isto porque, por muitos anos, o esgoto doméstico foi lançado nos córregos e de lá seguia para o rio e tudo ficava poluído.

A despoluição dos córregos faz parte da primeira etapa para o tratamento do esgoto em Bauru. A segunda inclui a construção de interceptores que irão lançar a sujeira em um ponto do rio que fica fora da cidade e onde, futuramente, será construída a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) da cidade.

A previsão, segundo o prefeito Rodrigo Agostinho, é que a primeira etapa desse processo seja concluída ainda este ano, ou seja, os 12 córregos que abastecem o rio Bauru devem estar completamente livres de esgoto já em 2011.

Quanto à segunda etapa, que prevê a despoluição do rio Bauru no trecho urbano, a previsão é que seja concluída em 2012. Os serviços já estão em andamento. A empresa contratada para instalar os oito quilômetros de interceptores que levarão o esgoto para fora da cidade está trabalhando atualmente na avenida Nuno de Assis, ao lado da Vila Santa Luzia.

Um túnel será construído às margens da avenida, passando por debaixo da rodovia Marechal Rondon, por onde vai passar a tubulação de esgoto. A obra contratada no início do segundo semestre do ano passado está lenta e custará R$ 19 milhões aos cofres do município. A despesa será paga pelos contribuintes, através do fundo de tratamento de esgoto cobrado todo mês nas contas de consumo de água.

Um outro trecho de interceptores (de sete quilômetros de extensão) passará por debaixo do pátio ferroviário, ao lado do Jardim Guadalajara. De acordo com o prefeito, a parte subterrânea do serviço terá de ser feita por uma empresa especializada, por meio de licitação. Já o serviço na superfície será executado pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE), com estrutura própria.

No momento, os córregos que não recebem mais esgoto são o Água da Forquilha, Água da Ressaca, Água do Sobrado, Ribeirão da Flores, Água do Castelo, Barreirinho e Vargem Limpa.

Fazem parte da lista dos parcialmente despoluídos os córregos da Grama, Madureira, Guadalajara e Ribeirão Vargem Limpa. O único que ainda mantém a lamentável classificação de poluído em praticamente toda sua extensão é o córrego Água Comprida (veja quadro).

Ele nasce no Residencial Odete, passa pelo Sambódromo e segue em direção ao Horto Florestal antes de encontrar o rio Bauru. Nesse trajeto, ele recebe esgoto de regiões populosas: Camélias, Núcleo Geisel, Jardim Carolina, Jardim Redentor e Distrito Industrial.

A reportagem do Jornal da Cidade esteve em todos os 12 córregos e o Água Comprida é o único que exala forte cheiro de esgoto, denunciando sua condição de córrego poluído. Segundo Agostinho, um terço do córrego já conta com interceptores. A previsão é que o restante seja instalado ainda este ano. O serviço deverá ser executado pelo DAE.

Comentários

Comentários