Geral

Ação de despoluição tem sido gradativa

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Não faz muito tempo que o poder público de Bauru passou a dar importância à despoluição o rio que leva o nome da cidade e dos córregos que o abastecem. A instalação de interceptores que captam o esgoto e o levam para fora da cidade recomeçou há poucos anos. Na verdade, mesmo com os interceptores, o esgoto continua sendo despejado dentro da cidade porque o projeto ainda não foi concluído.

Numa primeira etapa, a ideia é tirar o esgoto dos córregos. Na sequência, o objetivo é livrar o rio Bauru da sujeira, pelo menos no trecho urbano. A despoluição completa viria com a entrada em funcionamento da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), prevista para ser construída ao lado do Distrito Industrial I, ao custo de R$ 100 milhões.

As ações mais intensas para livrar o rio Bauru e seus afluentes do esgoto começaram no governo Nilson Costa, passaram por Tuga Angerami e deverão ser concluídas até o fim do atual governo.

O prefeito Rodrigo Agostinho está iniciando alguns trechos e concluindo outros. É o caso dos interceptores do córrego Água da Ressaca. O trecho que faltava foi concluído no ano passado. Desde então, o córrego, que nasce no Residencial Lago Sul, está livre do esgoto.

Os interceptores do córrego Água da Forquilha foram feitos na administração de Tuga Angerami. Com isso, o local também está despoluído. De acordo com Rodrigo, que também é ambientalista, o rio Bauru nasce da junção desses dois córregos, Água da Ressaca com Água da Forquilha, em um ponto próximo ao cruzamento da avenida Comendador José da Silva Martha com a linha férrea, no caminho para o Recinto Mello Moraes.

Mas o tema é controverso. Segundo Rodrigo, há quem defenda que a cabeceira do rio fica no Trevo da Eny, no cruzamento das rodovias Marechal Rondon e João Baptista Cabral Rennó (Bauru/Ipaussu). Outros afirmam que é no Residencial Lago Sul, por ser o ponto mais distante do córrego Água da Ressaca. Neste caso, o córrego deixaria de existir dando lugar ao rio Bauru.

Remoção de casas

Polêmica à parte, o córrego Água do Sobrado é outro que está despoluído desde o governo anterior. Tuga instalou também parte dos interceptores do córrego da Grama. O trabalho foi praticamente todo concluído na atual administração. Segundo o atual prefeito, está faltando um pequeno trecho localizado na ?favelinha? do Parque Jaraguá, que será feito ainda este ano.

De acordo com ele, as obras não foram feitas ainda porque existem alguns barracos no trecho onde serão colocados os interceptores. "Este ano, nós vamos remover as famílias para as casas do programa ?Minha Casa, Minha Vida?, aí dá para fazer", diz Rodrigo. Segundo ele, o que falta representa apenas 10% de toda a extensão da obra.

Na sequência, o Ribeirão das Flores, que passa debaixo da avenida Nações Unidas, não recebe esgoto há um bom tempo, mas, como está canalizado, não tem como a população usufruir dele.

No lado oposto, tem o córrego Água do Castelo, que vem sofrendo com o assoreamento provocado pela grande movimentação de terra na construção da avenida Nações Norte. Por causa da obra, o município teve de retirar os interceptores instalados na época do prefeito Nilson Costa e refazer o serviço com tubos maiores.


Menor afluente

O córrego Madureira é o menor afluente do rio Bauru. Ele fica ao lado do Parque Vista Alegre. Um pouco mais para baixo, tem outro córrego pequeno, o Guadalajara, que passa pelo bairro de mesmo nome.

O córrego Barreirinho, que nasce ao lado do Jardim Ivone, no norte da cidade, está despoluído desde a administração Nilson Costa. No governo Tuga Angerami, foi feita a troca da tubulação por outra maior. Segundo Rodrigo, o córrego ainda recebe um pouco de esgoto clandestino na favela do Jardim Ivone, mas o problema será resolvido com a remoção da famílias ainda este ano.

Descendo mais um pouco o rio Bauru, na margem direita, deságua o córrego Água Comprida com toda a carga de esgoto produzida nas regiões do Geisel, Redentor, Cruzeiro do Sul, Carolina e Camélias.

Os dois últimos córregos, localizados na zona urbana, que seguem para o rio Bauru são o Vargem Limpa e o ribeirão Vargem Limpa. O primeiro está completamente despoluído, enquanto o segundo está com boa parte dos interceptores já instalada, mas ainda faltam pequenas ligações para que fique totalmente livre do esgoto.

De acordo com o biólogo Mateus Pereira das Neves, não há diferença entre córrego e ribeirão. Segundo ele, ambos podem ser usados para designar um curso de água estreito. Quando esse curso chega a cerca de 10 metros de largura, pode ser considerado um rio.

Comentários

Comentários