Ser

Minha história: A JEC


| Tempo de leitura: 2 min
A Juventude Estudantil Católica (JEC) era um grupo que existiu entre 1950 e 1968, no seio da Igreja Católica. O método na JEC era embasado na Ação Católica, que fundamentalmente consistia em ver-julgar-agir. Este método era aplicado em cima de duas preocupações. Um vertente era toda uma discussão em torno do Evangelho (ou Boa Nova). A Ação Católica não lia a Bíblia como um todo, lia só o Evangelho de Cristo. Era uma versão bastante revolucionária do que significava o cristianismo. A outra vertente era a análise política. Esta constituía para todo mundo uma novidade, porque, de repente chegava alguém e dizia que Cristo também era um homem, que o Evangelho revolucionava a vida como um todo. Isso causava um impacto enorme, já que você foi criado numa Igreja Católica até então conservadora. A JEC visava a uma prática renovadora, a partir da realidade, a descoberta da dimensão política da fé, o protagonismo dos jovens e a presença de Deus nas lutas do povo. A JEC produziu um choque cultural e conseguiu atrair uma turma grande. Este período se caracterizou por um amplo processo de recrutamento de jovens líderes católicos escolhidos entre aqueles que frequentavam as escolas secundárias (cursos ginasial e colegial). Este movimento foi tão forte que alguns decidiram largar tudo e seguir para um seminário. Em 1964, alguns padres, bispos, arcebispos e cardeais estimularam o povo a participar das marchas pela família, diante de iminente golpe da esquerda,que transformaria o Brasil em ditadura comunista. Os militares, então, deram o golpe e tomaram o poder. Entretanto aquele governo militar, o qual deveria permanecer transitoriamente no poder, deu demonstrações concretas de que viera para ficar. Assim, evitamos a ditadura de esquerda e ganhamos uma ditadura de direita. Trocamos seis por meia dúzia, em termos de democracia. Aí grande parte da sociedade brasileira que começou a se opor à ditadura militar tinha dois caminhos distintos: a tomada do poder pela luta armada(comunistas) ou através de movimentos populares pacíficos pelo retorno à democracia plena (não comunistas). Aqui em Bauru, foram membros ativos da JEC: Gilberto Sidney Vieira, Isaías Milanezi Daibem, Mílton Dota, Saad Zogheib, Jorge Zogheib, Eduardo Zogheib, Newton Chiquito, Francisco Barbosa Bueno, Charles Marar, Adelson Simões Pereira, Paulo Graziano, Jefferson Barbosa, Dênis Santos Rosa, Maria da Graça Azenha, Ana Maria Magnani, Maria José Ventrice, Maria Aparecida Vilela, Lígia Cardieri, Helena Cardieri, Leonor Cardieri, Heloísa Diniz, Mary Nair Matheus Dota e tantos outros que circularam pelo grupo, em Bauru. Todos eram jovens idealistas que almejavam um mundo melhor, sem pobreza, com justiça social, conforme parâmetros ditados pela igreja católica. Mas em 1968, por terem muitos membros da JEC (no Brasil inteiro) se declarado pela luta armada para a tomada do poder nas mãos dos militares (ditadura), sem eleições diretas para presidente da República, a JEC foi extinta oficialmente.Gilberto Sidney Vieira

Comentários

Comentários