Nos dias 19, 20 e 21 de novembro, foi realizada a 7.ª Mostra Atucaec de Teatro em Casa - Pequenos Textos, trazendo três grandes espetáculos falando de circo, religiosidade e folclore. Mais uma vez, a magia e o encantamento dos espetáculos autorais do Atucaec, deixaram o público hipnotizado. Após uma hora e quarenta minutos de apresentação, ninguém conseguia ir embora. Foram cenas e momentos inesquecíveis, tendo até bolo de milho delicioso. Isso acontece porque o público quer um teatro próximo, que fale de suas raízes culturais e que tenha cheiro de Brasil. São inúmeras as vezes que crianças passam em minha casa e perguntam: “Quando vai ter teatro outra vez?”. Isso acontece porque a minha vontade de fazer teatro é muito grande. Me sinto inúmeras vezes uma andorinha sozinha fazendo verão, pois não é fácil fazer teatro numa cidade que ainda não tem uma política cultural clara e adequada para o artista local. Alguns meses atrás, fui visto como um possível potencial para o Ponto de Cultura, mas infelizmente não sou associação e não tenho CNPJ, e não pretendo ter. Só tenho muita vontade de continuar fazendo teatro. Além disso, o foco do trabalho do Atucaec seria ofuscado pelas várias exigências e normas do Ponto de Cultura. Um artista somente produz de verdade se o seu compromisso for com a arte e com a sociedade e eu jamais abriria mão dessa minha independência, alcançada principalmente graças a dona Iris, minha mãe, que cedia o seu quarto para os ensaios da Maria Feliz. Sempre foi difícil conseguir um espaço para ensaio teatral em Bauru, e como lição de casa se faz em casa, eu descobri que teatro também poderia ser feito em casa. As pessoas devem ser atraídas para uma proposta teatral pela sua identidade, seriedade e amor à arte. O Atucaec tem linguagem própria, é escola para muita gente, mas também se une a tantas outras propostas e iniciativas de artistas locais que fazem Bauru ter a sua produção cultural. No espetáculo Fita no Cabelo, a menina Anita pergunta na última cena ao seu irmão: “Qual é a cor da fita?”. E o menino Anel responde: “É verde, Anita”. Eu queria ter uma resposta objetiva para dar às crianças que me perguntam quando vai ter teatro outra vez, mas tenho uma resposta de esperança: “É simples, sempre vai ter teatro outra vez quando eu tiver cada vez mais gente interessada em fazer teatro em casa”. As inscrições estão sempre abertas e o Atucaec ainda tem muitos textos inéditos para serem montados para o público de Bauru. (Manoel Fernandes - ator e diretor teatral idealizador do Atucaec - Teatro em Casa)
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Nos dias 19, 20 e 21 de novembro, foi realizada a 7.ª Mostra Atucaec de Teatro em Casa - Pequenos Textos, trazendo três grandes espetáculos falando de circo, religiosidade e folclore. Mais uma vez, a magia e o encantamento dos espetáculos autorais do Atucaec, deixaram o público hipnotizado. Após uma hora e quarenta minutos de apresentação, ninguém conseguia ir embora. Foram cenas e momentos inesquecíveis, tendo até bolo de milho delicioso. Isso acontece porque o público quer um teatro próximo, que fale de suas raízes culturais e que tenha cheiro de Brasil. São inúmeras as vezes que crianças passam em minha casa e perguntam: “Quando vai ter teatro outra vez?”. Isso acontece porque a minha vontade de fazer teatro é muito grande. Me sinto inúmeras vezes uma andorinha sozinha fazendo verão, pois não é fácil fazer teatro numa cidade que ainda não tem uma política cultural clara e adequada para o artista local. Alguns meses atrás, fui visto como um possível potencial para o Ponto de Cultura, mas infelizmente não sou associação e não tenho CNPJ, e não pretendo ter. Só tenho muita vontade de continuar fazendo teatro. Além disso, o foco do trabalho do Atucaec seria ofuscado pelas várias exigências e normas do Ponto de Cultura. Um artista somente produz de verdade se o seu compromisso for com a arte e com a sociedade e eu jamais abriria mão dessa minha independência, alcançada principalmente graças a dona Iris, minha mãe, que cedia o seu quarto para os ensaios da Maria Feliz. Sempre foi difícil conseguir um espaço para ensaio teatral em Bauru, e como lição de casa se faz em casa, eu descobri que teatro também poderia ser feito em casa. As pessoas devem ser atraídas para uma proposta teatral pela sua identidade, seriedade e amor à arte. O Atucaec tem linguagem própria, é escola para muita gente, mas também se une a tantas outras propostas e iniciativas de artistas locais que fazem Bauru ter a sua produção cultural. No espetáculo Fita no Cabelo, a menina Anita pergunta na última cena ao seu irmão: “Qual é a cor da fita?”. E o menino Anel responde: “É verde, Anita”. Eu queria ter uma resposta objetiva para dar às crianças que me perguntam quando vai ter teatro outra vez, mas tenho uma resposta de esperança: “É simples, sempre vai ter teatro outra vez quando eu tiver cada vez mais gente interessada em fazer teatro em casa”. As inscrições estão sempre abertas e o Atucaec ainda tem muitos textos inéditos para serem montados para o público de Bauru. (Manoel Fernandes - ator e diretor teatral idealizador do Atucaec - Teatro em Casa)