Diante das tragédias humanas que nos comovem, mais até, que nos machucam e levam muitas vezes às lágrimas de compaixão, de piedade e nos chocam sem que nada possamos fazer para evitar que se repitam, cabe-nos a responsabilidade de ao menos procurar um meio de prevenir, já que não podemos impedir que aconteçam. A estação das chuvas é inevitável; chegou o tempo delas, elas vêm mesmo. Então, que fazer? Do mesmo modo que em nossas casas solidamente construídas em locais adequados tratamos de nos prevenir quanto a goteiras, será que as autoridades com competência e responsabilidade de aprovar ou reprovar a construção de casas em locais inadequados não poderiam influir de modo a minimizar essas tragédias? Por que permitem que se construam casebres nas encostas dos morros e não só casebres, mas até mesmo casas de moradia familiar onde as pessoas se abrigam, crentes que estão seguras, que estão protegidas contra as intempéries? Será que não está na hora de se pensar em leis mais severas, que servirão de proteção para as pessoas que por ignorância, por desconhecerem os perigos a que se sujeitam, constroem seus lares nas vertentes dos morros, barrancos ou falhas geológicas que abrem caminhos para as verdadeiras cascatas torrenciais que levam tudo de roldão na sua incontrolável passagem? Se para evitar ocorrência de epidemias cientistas se debruçam sobre pesquisas até encontrarem vacinas que as previnam, por que cientistas das áreas competentes não se dedicarem também a buscar uma forma de prevenir, como se fora uma vacina, a fim de que tragédias de tão alto nível quanto a que estamos assistindo, sejam, senão impedidas, pelo menos minimizadas? (Isolina Bresolin Vianna - ABLetras cad. 1)
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