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Bairro-fantasma de Teresópolis pode ter entre 200 e 800 corpos


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Teresópolis - A região de Campo Grande, na periferia de Teresópolis, se transforma aos poucos em um bairro-fantasma. Moradores não têm mais esperanças de voltar para suas casas, muitas das quais destruídas por centenas de pedras gigantescas que rolaram de uma encosta na quarta-feira. Sob toneladas de rochas, árvores, lama e escombros, ainda está enterrada uma quantidade de corpos estimada entre 200 e 800. Até agora, cerca de 80 corpos foram retirados do bairro - o mais afetado pelas enxurradas e deslizamentos. O prefeito Jorge Mário Sedlacek reconhece que, em Campo Grande, "possivelmente não poderá ser feito nenhum projeto habitacional". Aproximadamente 90% da área do bairro foi devastada pelo temporal. Os sobreviventes tentam recuperar documentos e objetos deixados para trás durante a enxurrada que provocou pânico há quase uma semana. Uma caminhada de 30 minutos por um terreno tomado por escombros e pela terra dá acesso a um dos pontos mais altos de Campo Grande, onde as casas estão enterradas ou arrasadas por pedregulhos. As que resistiram ficaram pela metade e se transformaram em abrigos para dezenas de cães que vagam pela região, sem a presença de seus donos. Uma família pediu a ajuda de amigos para carregar um fogão de cinco bocas, intacto, morro abaixo. Dois homens se equilibravam pelo caminho de pedras e troncos, onde a água escorria com velocidade. Passavam por casas totalmente destruídas, com roupas, colchões e brinquedos estavam espalhados pelo chão, e de onde saía o cheiro de cadáveres em decomposição. Ao lado da sobrinha, a empregada doméstica Maria da Glória Jesus Silva, 55 anos, teve de esperar para entrar na casa em ruínas enquanto uma escavadeira retirava pedregulhos do que sobrou da vizinhança. "Não tem risco de cair não, moço?!", gritou para o operador da máquina. Dona Glória correu para dentro só para pegar os documentos. Ela e a filha de 12 anos dormiam em casa, no terceiro andar de um sobrado, quando acordaram assustadas com o estrondo dos deslizamentos. "Eu abri a janela para ver o que estava acontecendo e a minha rua não existia mais! Era só um rio de lama. No minuto em que eu abri a porta para ver se conseguia sair, a escada desabou. Eu ouvia meus vizinhos gritando por socorro, pedindo para eu não deixá-los morrer...", contou, emocionada. "Estou tomando calmante até hoje. Nem consigo comer direito." Sem saber quantas pessoas morreram soterradas sob os escombros e diante do risco de novos desmoronamentos, homens do Corpo de Bombeiros e da Força Nacional de Segurança fazem um trabalho demorado para tentar localizar corpos na região. O cheiro forte é um indício, mas dois cães farejadores percorrem as casas para saber em que ponto específico a busca deve ser feita."Não usamos máquinas; só enxadas, motosserras e tesouras, pois as estruturas das casas estão muito abaladas", disse o tenente Eller, comandante da equipe responsável pelas buscas em Campo Grande e na Posse, bairro vizinho. Nos últimos dois dias de trabalho, cinco vítimas foram encontradas em um único ponto, sob parte de um pedregulho de mais de 100 toneladas. Durante os trabalhos, o grupo encontrou um cão com as duas patas traseiras fraturadas. Segundo vizinhos, o animal se chama Herói e seu dono teve de ser internado depois do temporal. Militares usaram um cobertor para levá-lo para dentro de uma casa e prometeram chamar um veterinário para atendê-lo. A equipe formada por bombeiros e pela Força Nacional procura corpos das 9h até o fim da tarde, quando as condições meteorológicas são favoráveis. Ontem, uma chuva fina que começou a cair na região já encharcada foi o toque de recolher para militares e voluntários na região. Muitos moradores foram para abrigos da prefeitura. Quem tinha parentes em outras partes da cidade pôde pedir ajuda, mas ainda recebe mantimentos arrecadados pela prefeitura. Homens da Polícia Militar e da Força Nacional de Segurança patrulham o local a pé, com o objetivo de evitar que as casas que resistiram sejam saqueadas.

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