Tunis - A violência que assola as ruas da Tunísia durante a revolta popular que causou, em 14 de janeiro, a queda do regime do ex-ditador Zine El Abidine Ben Ali, já deixou ao menos 78 mortos e 94 feridos, declarou ontem na TV o ministro tunisiano do Interior, Ahmed Friaa. O número oficial anterior, anunciado no dia 11 de janeiro, antes da mudança de poder, era de 21 mortos. A maior parte das vítimas morreu durante a repressão policial à revolta, que começou a ganhar as ruas em meados de dezembro. A polícia revidou com munição e bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes. No entanto, ele não detalhou se estes últimos morreram durante choques com manifestantes ou se foram vítimas de disparos das milícias leais a Ben Ali. Nova gestão O primeiro-ministro da Tunísia, Mohamed Ghannouchi, anunciou ontem o novo governo de unidade nacional, que incluirá pela primeira vez membros da oposição no alto escalão. A medida é uma tentativa de acalmar a população, em meio a protestos e confrontos com as forças de segurança que levaram à fuga do ditador Zine El Abidine Ben Ali para a Arábia Saudita, que estava desde 1987 no poder. Ghannouchi, aliado de longa data de Ben Ali e no cargo desde 1999, e os ministros de Defesa, Interior e Relações Exteriores mantiveram seus postos na mudança. Mas, em uma medida rara em um país de governo ditatorial, três figuras da oposição, incluindo Nejib Chebbi, fundador do partido da oposição PDP, assumirão postos no governo. O primeiro-ministro disse ainda, em entrevista a jornalistas, que qualquer suspeito de corrupção ou enriquecimento ilícito sob o governo de Ben Ali será investigado.
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