Porto Príncipe - A capital do Haiti amanheceu anteontem sob a expectativa de qual será o impacto no conturbado processo eleitoral que o país atravessa e na estabilização política com a chegada no domingo do ex-ditador Jean-Claude "Baby Doc". Ele voltou ao país depois de 25 anos de exílio. Sob seu governo, o país atravessou a uma das mais violentas ditaduras, que terminou em 1985 provocado por uma forte crise econômica e uma onde de violência. Antes de iniciar a coletiva com o coronel Ronaldo Pierre Cavalcanti Lundgren, comandante do 1º Batalhão do exército brasileiro, jornalistas já se questionavam qual será o impacto de "Baby Doc" no processo eleitoral. Anteontem a Comissão Eleitoral Provisória nomeada pela Organização dos Estados Americanos (OEA) divulgaria os dois mais votados para concorrer no segundo turno."Para nós foi uma surpresa a chegada do Baby Doc. Não sabemos qual será o impacto dele na estabilização do Haiti", afirmou Lundgren na coletiva acompanhada pela Associação Paulista de Jornais (APJ). O ex-ditador chegou ao aeroporto de Porto Príncipe pela manhã de domingo. O Exército brasileiro dobrou o contingente de militares nas ruas. O coronel nega que o aumento do efetivo tenha relação com a chegada de "Baby Doc". Ele justifica o aumento de militares ontem devido a chegada do secretário-geral da OEA, José Manuel Inzulza, que veio anunciar os dois candidatos que vão disputar o segundo turno. A reportagem apurou que houve reforço de militares na região do aeroporto. "Não se sabe se será bem visto ou mal visto e qual será o impacto na população", declarou o coronel. O Brasil lidera a Missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti (Minustah). Três candidatos concorrem à sucessão de René Préval; o candidato governista Jude Celestin, o cantor Michel Martelly e a primeira-dama Mirlande Manigat. O pleito é marcado por suspeita de fraude. Sobre o motivo de não ter sido impedido o ex-ditador de retornar ao Haiti, Lundgren declarou que "Baby Doc" é um cidadão haitiano que recebeu autorização de seu próprio país. A vinda do ex-ditador comentada anteontem no Brabbatt é de que ele veio para ajudar a "destravar" o processo eleitoral. O Brasil está no Haiti desde 2004, mas após o terremoto que arrasou o país há um ano, elevou o contingente de militares de 1.200 para 2.200 na missão da ONU. Apesar da chegada do ex-ditador a cidade de Port Princípe estava movimentada, mas havia várias patrulhas e blindados da tropa de paz. * O jornalista Aurélio Alonso está no Haiti pela Associação Paulista de Jornais (APJ) e Associação dos Diários do Interior (ADI), a convite da presidência da República.____________________
Porto Príncipe - A organização de direitos humanos Anistia Internacional pediu ontem que as autoridades haitianas encaminhem o ex-ditador Jean-Claude Duvalier, conhecido como Baby Doc, à Justiça após seu retorno ao Haiti na véspera."As violações dos direitos humanos, generalizados e sistemáticos, cometidos no Haiti durante o reinado de Duvalier representam crimes contra a humanidade. O Haiti tem a obrigação de persegui-lo, assim como todos os responsáveis deste gênero de crime", afirmou Javier Zuñiga, conselheiro especial da organização com sede em Londres. Jean Claude Duvalier, o "Baby Doc", se transformou em mais um ator da crise política do país e provocou uma onda de duras críticas de ONGs e ex-perseguidos políticos que cobram que ele seja julgado pelos crimes de seu governo (1971-1986)."Vinte e cinco anos de um cômodo exílio são suficientes para esquecer os horrores, o sofrimento, a injustiça, o custo econômico e humano de décadas de ditadura???, questionou Michaëlle Jean, enviada da Unesco ao Haiti. Jean fez carreira no Canadá, para onde a família migrou quando ela tinha 11 anos por causa da perseguição do regime Duvalier. O inesperado regresso de "Baby Doc", 59, anteontem, também foi criticado pelas ONGs Human Rights Watch e Anistia Internacional, que exigiram que ele seja julgado por supostos crimes de lesa humanidade e o desvio de estimados US$ 100 milhões. Duvalier cancelou conversa com jornalistas marcada para ontem. Recebeu antigos seguidores no hotel de luxo Karibe. Legalmente, Duvalier não tem impedimentos para voltar ao Haiti. Tampouco responde a ações na Justiça. Seu retorno era considerado uma ameaça à estabilidade do país na avaliação dos EUA em 2006, às vésperas das eleições presidenciais, segundo documentos vazados pelo site WikiLeaks. Opositores do presidente René Préval acusavam o governo de promover a volta de Duvalier para "turvar" ainda mais a situação política no país e provocar a extensão do mandato do presidente. Préval, recebeu ontem José Miguel Insulza, o secretário-geral da OEA, para falar sobre a crise política. Para o embaixador do Brasil, Igor Kipman, o "timing muito curioso" de "Baby Doc" o converte automaticamente em um "ator?? da crise. A organização de direitos humanos Anistia Internacional pediu ontem que as autoridades haitianas encaminhem o ex-ditador Jean-Claude Duvalier, conhecido como Baby Doc, à Justiça após seu retorno ao Haiti na véspera."As violações dos direitos humanos, generalizados e sistemáticos, cometidos no Haiti durante o reinado de Duvalier representam crimes contra a humanidade. O Haiti tem a obrigação de persegui-lo, assim como todos os responsáveis deste gênero de crime", afirmou Javier Zuñiga, conselheiro especial da organização com sede em Londres. Baby Doc retornou ao país 25 anos depois de ser deposto por uma revolta popular. Ele chegou ao aeroporto da capital Porto Príncipe ontem, em um voo vindo da França, onde ele vivia exilado. "As autoridades haitianas devem romper com o ciclo de impunidade que prevaleceu durante décadas no Haiti. Não levar os responsáveis perante a justiça acabará provocando outras violações dos direitos humanos", afirma um comunicado da organização. "Durante esses quinze anos no poder (1971-1986), a tortura sistemática e outros maus-tratos eram amplamente disseminados em todo o país. Centenas de pessoas "desapareceram" ou foram executadas. Os membros das Forças Armadas e da milícia, igualmente conhecidos como "tontons macoutes", representaram um papel primordial na repressão de militantes pró-democracia e dos direitos humanos", acrescentou a Anistia. Uma multidão recebeu o ex-ditador no aeroporto internacional Toussaint Louverture, onde chegou acompanhado de vários colaboradores. O retorno de Duvalier fez surgir perguntas na capital sobre o significado do retorno deste ex-líder, considerado, junto com seu pai, François, que governou entre 1957 e 1971, responsável por um regime que governou com mão de ferro, desprezo aos direitos humanos e corrupção. Seus governos são considerados responsáveis pela morte de milhares de opositores e do desvio de recursos significativos do país durante 29 anos. O presidente haitiano, René Préval, advertiu em 1997, que Duvalier seria preso se retornasse ao Haiti. Comentaristas destacaram que não é possível imaginar que as altas autoridades do país não estavam conscientes das diligências de Duvalier para voltar ao Haiti. Duvalier chegou ao poder em 1971, aos 19 anos, após a morte de seu pai, François Duvalier, o Papa Doc, que previamente o havia nomeado seu sucessor. Após permanecer na Presidência do Haiti até 1986, teve que exilar-se perante o agravamento da situação no país caribenho, indo para a França, onde morou em várias localidades durante todos estes anos.
Porto Príncipe - A organização de direitos humanos Anistia Internacional pediu ontem que as autoridades haitianas encaminhem o ex-ditador Jean-Claude Duvalier, conhecido como Baby Doc, à Justiça após seu retorno ao Haiti na véspera."As violações dos direitos humanos, generalizados e sistemáticos, cometidos no Haiti durante o reinado de Duvalier representam crimes contra a humanidade. O Haiti tem a obrigação de persegui-lo, assim como todos os responsáveis deste gênero de crime", afirmou Javier Zuñiga, conselheiro especial da organização com sede em Londres. Jean Claude Duvalier, o "Baby Doc", se transformou em mais um ator da crise política do país e provocou uma onda de duras críticas de ONGs e ex-perseguidos políticos que cobram que ele seja julgado pelos crimes de seu governo (1971-1986)."Vinte e cinco anos de um cômodo exílio são suficientes para esquecer os horrores, o sofrimento, a injustiça, o custo econômico e humano de décadas de ditadura???, questionou Michaëlle Jean, enviada da Unesco ao Haiti. Jean fez carreira no Canadá, para onde a família migrou quando ela tinha 11 anos por causa da perseguição do regime Duvalier. O inesperado regresso de "Baby Doc", 59, anteontem, também foi criticado pelas ONGs Human Rights Watch e Anistia Internacional, que exigiram que ele seja julgado por supostos crimes de lesa humanidade e o desvio de estimados US$ 100 milhões. Duvalier cancelou conversa com jornalistas marcada para ontem. Recebeu antigos seguidores no hotel de luxo Karibe. Legalmente, Duvalier não tem impedimentos para voltar ao Haiti. Tampouco responde a ações na Justiça. Seu retorno era considerado uma ameaça à estabilidade do país na avaliação dos EUA em 2006, às vésperas das eleições presidenciais, segundo documentos vazados pelo site WikiLeaks. Opositores do presidente René Préval acusavam o governo de promover a volta de Duvalier para "turvar" ainda mais a situação política no país e provocar a extensão do mandato do presidente. Préval, recebeu ontem José Miguel Insulza, o secretário-geral da OEA, para falar sobre a crise política. Para o embaixador do Brasil, Igor Kipman, o "timing muito curioso" de "Baby Doc" o converte automaticamente em um "ator?? da crise. A organização de direitos humanos Anistia Internacional pediu ontem que as autoridades haitianas encaminhem o ex-ditador Jean-Claude Duvalier, conhecido como Baby Doc, à Justiça após seu retorno ao Haiti na véspera."As violações dos direitos humanos, generalizados e sistemáticos, cometidos no Haiti durante o reinado de Duvalier representam crimes contra a humanidade. O Haiti tem a obrigação de persegui-lo, assim como todos os responsáveis deste gênero de crime", afirmou Javier Zuñiga, conselheiro especial da organização com sede em Londres. Baby Doc retornou ao país 25 anos depois de ser deposto por uma revolta popular. Ele chegou ao aeroporto da capital Porto Príncipe ontem, em um voo vindo da França, onde ele vivia exilado. "As autoridades haitianas devem romper com o ciclo de impunidade que prevaleceu durante décadas no Haiti. Não levar os responsáveis perante a justiça acabará provocando outras violações dos direitos humanos", afirma um comunicado da organização. "Durante esses quinze anos no poder (1971-1986), a tortura sistemática e outros maus-tratos eram amplamente disseminados em todo o país. Centenas de pessoas "desapareceram" ou foram executadas. Os membros das Forças Armadas e da milícia, igualmente conhecidos como "tontons macoutes", representaram um papel primordial na repressão de militantes pró-democracia e dos direitos humanos", acrescentou a Anistia. Uma multidão recebeu o ex-ditador no aeroporto internacional Toussaint Louverture, onde chegou acompanhado de vários colaboradores. O retorno de Duvalier fez surgir perguntas na capital sobre o significado do retorno deste ex-líder, considerado, junto com seu pai, François, que governou entre 1957 e 1971, responsável por um regime que governou com mão de ferro, desprezo aos direitos humanos e corrupção. Seus governos são considerados responsáveis pela morte de milhares de opositores e do desvio de recursos significativos do país durante 29 anos. O presidente haitiano, René Préval, advertiu em 1997, que Duvalier seria preso se retornasse ao Haiti. Comentaristas destacaram que não é possível imaginar que as altas autoridades do país não estavam conscientes das diligências de Duvalier para voltar ao Haiti. Duvalier chegou ao poder em 1971, aos 19 anos, após a morte de seu pai, François Duvalier, o Papa Doc, que previamente o havia nomeado seu sucessor. Após permanecer na Presidência do Haiti até 1986, teve que exilar-se perante o agravamento da situação no país caribenho, indo para a França, onde morou em várias localidades durante todos estes anos.