Política

Reservatório do Mary Dota vai atrasar

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 5 min


Iniciada em outubro de 2010 e com previsão para ser entregue em fevereiro próximo, a construção de reservatório semienterrado no Núcleo Mary Dota vai atrasar. A informação é do diretor de Divisão e Produção e Reservação do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru, Igor Fournier. Ele argumenta que a chuva atrapalhou o andamento da obra. O equipamento terá capacidade de reservação de dois mil metros cúbicos e é apontado pela autarquia como a solução para os problemas de abastecimento dos bairros da região.

No início desta semana, o Jornal da Cidade foi procurado por uma moradora do Núcleo Beija Flor que se queixou das constantes interrupções do fornecimento de água para o bairro aos finais de semana. Segundo e-mail enviado à reportagem, Gisele Aires afirma que aos sábados e domingos, os moradores param de receber água por volta das 14h e a situação só se normaliza no início da madrugada.

O JC entrou em contato com a autarquia e, por meio da assessoria de comunicação, o diretor Igor Fournier esclareceu que o problema de abastecimento no bairro se agrava aos sábados e domingos. "Com o aumento do consumo de água nos finais de semana, tem ocorrido desabastecimento no bairro Beija-Flor", confirma Fournier. "O problema será solucionado após o término da obra do reservatório, com capacidade de 2 mil metros cúbicos, que está sendo construído numa travessa da avenida Marcos de Paula Raphael", diz.

O diretor faz referência ao reservatório que é erguido por meio de uma parceria firmada entre o DAE e a CPFL, dentro do Programa de Eficiência Energética desenvolvido pela empresa do setor elétrico. O investimento não seria na região. Em uma entrevista coletiva realizada em 11 de novembro de 2009, na estação do rio Batalha, o então presidente do DAE, Rafael Ribeiro, ao lado do prefeito Rodrigo Agostinho, anunciou que seria construído pela companhia energética um reservatório ao lado da Estação de Tratamento de Água (ETA).

Porém, algum tempo depois, o DAE deslocou o investimento da CPFL para a região do Mary Dota, percebendo que lá seria a prioridade. A medida, informou a autarquia, também seria mais adequada ao programa da CPFL. Assim, a obra teve início em outubro do ano passado, com previsão inicial de conclusão em 120 dias, conforme informou na época o engenheiro responsável pelo empreendimento, José Marcos de Moura, da GCE do Brasil (contratada).

Obras paradas


Ontem, as obras estavam paradas no local. De acordo com o diretor da Divisão de Produção e Reservação de Água do DAE, a possibilidade é que a obra não fique pronta dentro do previsto. "A expectativa é que haja dilação de prazo em decorrência das chuvas", pontua Fournier.

Além do reservatório, o DAE vai construir uma adutora para ligar o poço do Núcleo Beija-Flor ao novo reservatório. Assim, a região passará a contar com quatro reservatórios - sendo dois elevados e dois semienterrados - ampliando a reservação de água para um total de 3 milhões e 850 mil litros. Isso possibilitará a paralisação do referido poço durante o "horário de pico" - das 18h às 21h, e no horário de verão, das 19h às 22h -, levando a uma economia no consumo de energia.

Já quanto à interligação, esta tem sido uma prática adotada pela autarquia para ampliar a possibilidade de manobras operacionais quando há necessidade de redistribuição do fluxo de abastecimento de uma região para outra.

Entretanto, a autarquia não pode cometer o erro, ao longo do tempo, de contar apenas com a interligação como alternativa, já que a manutenção do mesmo volume total de produção por região implica, no resultado final, em possibilidade de desabastecimento de qualquer forma. A alternativa é investir em reservação combinado com maior produção de água.

Investimento

O presidente do DAE, André Andreoli, afirma que na área de abastecimento a autarquia irá investir na construção de três novos poços. Os equipamentos serão construídos no Núcleo Octávio Rasi, no Nova Bauru e no Núcleo Edson Francisco da Silva. "Estudamos a viabilidade de construir um quarto poço, no Jardim Manchester", adianta o presidente.

O Rasi já possui um poço (mas antigo e com limitação na produção) e o novo equipamento irá reforçar o abastecimento. O mesmo acontece com o Edson Francisco. Por sua vez, o Nova Bauru é abastecido pelo poço dos Lotes Urbanizados e o novo poço irá melhorar o atendimento nesta área, avalia o presidente.

Ele também lembra que a autarquia está concluindo um poço na Vila Cardia e outro no Jardim Marabá, obras da gestão anterior (de Rafael Ribeiro). A Vila Cardia e o Higienópolis também receberão um Reservatório Elevado construído em convênio com a MRV Engenharia. A obra começou no final de dezembro e o equipamento terá capacidade de reservação para 450 mil litros de água. Em seguida, o DAE fará a interligação do Elevado ao novo poço do bairro, que terá vazão de 180 mil litros por hora, além das adequações necessárias na rede.

O poço do Jardim Marabá começou a ser construído no final de novembro passado. Ele terá vazão de 200 mil litros por hora para abastecer os bairros Paineiras, Samambaia, Jardim Niceia, Jardim Europa e Jardim América.

Entre as ações previstas para 2011, também estão relacionadas a construção de um reservatório da Vila Falcão e a reforma do equipamento já existente no bairro, além da instalação de um buster na rede que liga o poço do Núcleo Gasparini ao reservatório do Parque Vista Alegre.

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