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Bauruense vai cursar medicina na Rússia

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min


Nem o frio de 14ºC negativos, nem a distância de mais de 11 mil quilômetros, nem a barreira do idioma, nem as diferenças culturais. Nada será um obstáculo para a bauruense Natália Gonçalves Gimenez, 25 anos, que embarca no dia 1º de fevereiro para cursar medicina na Rússia em busca da realização de um sonho.

Filha de um vendedor e de uma auxiliar de enfermagem, a jovem foi selecionada para estudar na Universidade Estatal Médica da cidade de Kursk, por meio de um sistema de cotas para estrangeiros mantido pela instituição. Sem conhecer sequer uma palavra em russo e muito pouco sobre a cultura daquele país, ela encarou o desafio de permanecer por pelo seis anos longe da família e dos amigos em nome da profissão que sempre quis exercer. "Para me formar em medicina, vale qualquer sacrifício", conta, com voz e olhar determinado.

As tentativas para ser aprovada em uma universidade pública brasileira foram muitas, infrutíferas, e custear o curso em uma instituição particular não seria possível diante das condições financeiras da família. "Eu teria de estudar fora, o que aumentariam os gastos. E, pela carga horária do curso, não poderia trabalhar para me manter. Não dava mesmo", lembra.

Sem outra opção, Natália cursou fisioterapia em Bauru, financiada pelo ProUni, mas não desistiu do sonho mesmo quando se formou, no início do ano passado. Em agosto, assistindo a um programa de televisão, soube da existência do curso de medicina na Rússia, que abria um determinado número de vagas para estrangeiros.

"Na verdade, eu nunca desisti. Eu estava dando aula de pilates mas, paralelamente, voltei a fazer cursinho para prestar medicina no Brasil de novo. Quando soube da possibilidade de estudar na Rússia, parei tudo e fui atrás", comenta.

Nos sites de busca disponíveis na Internet, Natália encontrou a Aliança Russa de Ensino Superior, entidade que representa as universidades estatais russas no Brasil. Ao mesmo tempo em que entrou em contato, checou com órgãos diplomáticos a veracidade da parceria entre os dois países.

Informações confirmadas e ansiosa para que tudo desse certo, a jovem conta que acelerou o agendamento da primeira entrevista em São Paulo e, no intervalo de 20 dias - após análise de documentos e currículo escolar - recebeu a tão esperada notícia: estava apta a estudar na universidade de Kursk.

Idioma novo


Mesmo sem conhecer nenhuma palavra da língua russa e apenas "arranhar" o inglês - idioma em que o curso será ministrado - Natália não corre risco de perder a vaga. Após aterrissar em Kursk, ela será submetida a uma prova, que determinará se ela ficará quatro meses num curso preparatório até ingressar na faculdade de medicina, em setembro, ou se poderá iniciar as aulas já em fevereiro.

"Eu nunca tinha aprendido nada de inglês, mas comecei a estudar no dia em que fui aprovada. Estou torcendo para que eu possa começar o curso já. E acho que vou conseguir", afirma ela, que já começou a arrumar as malas para a viagem mais do que esperada.

Pelos fortes vínculos que mantém com os pais e o único irmão, com quem viveu a vida toda na Vila Falcão, a futura médica promete voltar a Bauru em todos os anos, durante as férias que vão de julho e agosto. A família, por outro lado, também já faz planos de visitá-la na Rússia.

Depois de concluir o curso na Rússia, Natália pretende cursar residência em cirurgia cardíaca e atuar na profissão na própria Europa ou na Austrália. Quando atingir todas as metas projetadas para o momento, traçará novos planos. "Um dia, quem sabe, eu volte ao Brasil, ou a Bauru, a cidade onde eu sempre vivi", cogita.

Gastos

Embora todo o trâmite de documentos e matrícula na instituição de ensino esteja sendo providenciada pela Aliança Russa de Ensino Superior, os custos com viagem, moradia, alimentação e compra de material para estudos fica sob responsabilidade da família de Natália. Somente a anuidade do curso, por exemplo, representará um gasto de R$ 3.800,00.

"Perto dos R$ 4 mil que cobram as universidades particulares brasileiras por mês, o valor é até pequeno, com a vantagem de o curso ser muito bom. Pelo que pesquisei, é melhor até do que o de algumas instituições públicas do Brasil", observa a jovem.

Além de Natália, 24 jovens de vários estados brasileiros embarcam no dia 1de fevereiro para estudar medicina na Universidade Estatal Médica de Kursk, na Rússia, por intermédio da Aliança Russa de Ensino Superior.

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