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Paciente de hemodiálise fica sem hormônio

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 3 min


Paciente que realiza hemodiálise há 10 anos no Hospital de Base (HB) de Bauru, Ailton Cardoso há dois meses não recebe o medicamento Alfaepoetina 4000, hormônio necessário para evitar o desenvolvimento de anemia. Como ele, outros pacientes do Base e do Hospital Estadual (HE) reclamam que não têm recebido o remédio, que é distribuído gratuitamente na Farmácia de Alto Custo da Direção Regional de Saúde (DRS-6). Em consequência, estão se sentindo mais fracos, cansados e com dores pelo corpo, além de desenvolveriam anemia. A Secretaria de Estado da Saúde confirma o atraso na entrega do hormônio.

"Quando nós retirávamos o remédio na Diretoria Regional de Saúde, não havia problemas. Depois que nós passamos a retirá-lo na Farmácia de Alto Custo, que fica no Hospital Estadual de Bauru, começou a faltar. Já estou há dois meses sem o medicamento. Quando vou lá perguntar, eles falam que não tem", criticou Ailton.

Situação semelhante enfrenta Maria Helena Rocha Cunha, 61 anos, que faz hemodiálise também no HB há 10 anos. Ela está há três meses sem o hormônio. "Eu vou lá na Farmácia de Alto Custo do Hospital Estadual e eles falam que não tem o remédio. Eu estou me sentindo muito mal, com dores nas pernas, cansada e já foi constatado em exames que eu estou com um pouco de anemia", afirmou.

O médico urologista e diretor do Hospital de Base, Aparecido Donizeti Agostinho, explica que nem todos os 170 pacientes que fazem hemodiálise e os 70 que fazem diálise peritonial no hospital necessitam do medicamento. No Hospital Estadual, são cerca de 160 pacientes que fazem hemodiálise. Aqueles que precisam do hormônio também não têm conseguido retirar o remédio na Farmácia de Alto Custo.

"Esse medicamento é um hormônio que funciona no controle e prevenção da anemia para evitar, em casos graves, uma transfusão de sangue. O que poucos sabem é que, além de filtrar o sangue, os rins são produtores de hormônios como a eritropoetina, responsável por ajudar a manter o organismo sem anemia e ajuda a controlar as hemácias", esclareceu.

Consequências


Agostinho afirma que a falta do medicamento por um mês não deve piorar o quadro de saúde a ponto do paciente ter que passar por uma transfusão sanguínea. "Esse é um problema crônico e, se você deixa de tomar o medicamento vários meses, a tendência é que comece a surgir ou piorar a anemia. Mas não é uma coisa que, se o paciente ficar um mês sem tomar o medicamento, vai ter anemia grave com necessidade de transfusão. Isso vai da situação de cada paciente, mas o reflexo não é tão rápido assim", acrescentou.

O urologista explica que, por ser um problema crônico, não é necessário tomar mais de uma ampola para recuperar o quadro desencadeado pela falta do hormônio.

Produção atrasou

Apesar de funcionar dentro do Hospital Estadual de Bauru, a Farmácia de Alto Custo, que faz a distribuição de medicamentos aos pacientes, é de responsabilidade da Diretoria Regional de Saúde-6 (DRS-6). Contudo, quem fornece os medicamentos gratuitamente aos pacientes em questão é o Ministério da Saúde, que informou, através da assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde, que houve um atraso, provavelmente na produção do medicamento, neste mês.

Com isso aconteceu, consequentemente, ocorreu demora para o remédio chegar até os pacientes. A assessoria de imprensa afirmou ainda que o medicamento estará disponível aos pacientes até o final desta semana.

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