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A grande caminhada

Nagib Anderáos Neto
| Tempo de leitura: 2 min
Andar a pé faz bem. Costumo mudar o trajeto para manter viva a ideia de que a rotina não é boa, e que se pode caminhar com os pés e com a mente, pois a vida é uma grande caminhada. Andar mentalmente requer algum esforço, começando por saber o que existe dentro da mente, quais pensamentos estão a governá-la, se são úteis ou inúteis - grande mistério que, se decifrado, poderá constituir-se na reversão da condição humilhante em que a maioria vive escravizada por pensamentos que vêm dominando os seres humanos há séculos. Caminhar mentalmente implica liberar-se de preconceitos, da rotina e do temor -arma maligna dos que pretendem subjugar as pessoas pelo terror. Todas as limitações humanas são mentais, provêm da ignorância que paralisa a inteligência do homem tornando-o um dócil instrumento nas mãos de pensamentos estranhos ao seu sentir, mas que sua mente indefesa não consegue repelir. A grande crise que vive o homem de hoje é mental, porque o ser humano deixou de pensar e a anarquia em que vivemos é causada por pensamentos que pervertem as mentes dos homens indefesos, ignorantes de si, pervertendo também a convivência humana que vai se tornando cada vez mais difícil e penosa. Para poder se controlar é necessário aprender a pensar, criar pensamentos, ideias e soluções que nos permitam sair do labirinto em que nos encontramos, presas fáceis de pensamentos monstruosos que foram se gestando nas mentes através dos séculos. A crise mental é a causadora da crise social e humana. O penso logo e o existo de Descartes segue sendo uma quimera; se o homem pensasse, não se comportaria com o seu semelhante como tem feito, pois inteligência pressupõe convivência pacífica entre as pessoas. O homem segue sendo um mistério para si porque se desconhece, não sabe o que tem na mente e nem como aperfeiçoar esse mecanismo, mas traz no fundo de seu coração a esperança de encontrar o caminho que o leve de volta para o seu mundo. Esta será sua grande e definitiva caminhada. (O autor, Nagib Anderáos Neto, é colaborador de Opinião - www.nagibanderaos.com.br)

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