Sou uma leitora do JC, Tribuna do Leitor, e li sua carta, onde expressa sua revolta ao abono concedido aos professores. E tenho lido todas as respostas deles à senhora. Devo dizer-lhe que não sou professora (bancária aposentada), mas tenho duas irmãs que são e não estou aqui para defendê-las, e sim para, respeitosamente, dizer-lhe umas palavras. Senhora Isabel (não a conheço e nem sei se tem filhos), vou falar por mim sobre a gratidão que devemos ter aos professores, recebam eles ou não o abono. E se são merecedores (licença- prêmio penso que a senhora deve saber que a cada cinco anos trabalhados, qualquer funcionário, seja graduado ou não e sem falta injustificada, goza desse direito, é norma regimental do funcionalismo público). Vou testemunhar a minha gratidão aos professores, pois são eles que encaminham e orientam nossos filhos, instruindo-os para a vida. Em nossos lares, damos o exemplo de família como respeito e amor ao próximo, mas é na escola, através dos professores, que eles são instruídos a nortear suas vidas. Isto estou lhe dizendo por mim, que tenho dois filhos já formados (graças a Deus) e encaminhados em suas profissões para a vida. E a quem devo isso? Com os ensinamentos dos professores (estudaram em parquinho da prefeitura, escola estadual e colégio particular, ingressando posteriormente na USP), meus filhos se tornaram pessoas de bem e estão caminhando com êxito nas profissões que abraçaram. Senhora Isabel, mesmo sem conhecê-la, acho que sempre é tempo de retratar-se com as pessoas a quem ofendemos e magoamos. A senhora sabe que as duas maiores virtudes são a humildade e a gratidão (tão difíceis do ser humano praticar). Então, nesse tempo em que as pessoas se unem para desejar paz e amor ao próximo, pratique esse exercício de humildade e se retrate com uma carta de desculpas aos professores. Não se envergonhe, pelo contrário, é um gesto de grandeza de sua parte, pois sei que eles (apesar de magoados) irão ficar felizes com esse seu gesto. Olhe, ficarei feliz se um dia, ao abrir o JC para ler as cartas da Tribuna, encontrar a sua. Um grande e respeitoso abraço. (Maria Laide Scombatti)
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