Porto Príncipe - Indiciado por corrupção e desvio de verbas pelo Ministério Público haitiano, o ex-ditador Jean-Claude Duvalier, o "Baby Doc??, permanecia ontem num hotel de luxo de Porto Príncipe enquanto seus advogados diziam que ele pretende ficar no Haiti "para sempre?? - e voltar à política. Seu autodenominado porta-voz, Henry Robert Sterlin, ex-embaixador haitiano na França, foi além e disse que os aliados do ex-ditador "precisam fazer tudo" para que o controvertido primeiro turno das eleições haitianas seja anulado para que ele possa ser candidato. Duvalier está "à disposição" da Justiça haitiana, que tem agora três meses para decidir sobre as denúncias apresentadas pela Procuradoria ontem. Por ora, Duvalier parece não ter alternativa além de ficar no país, para onde voltou de surpresa no domingo após 25 anos de exílio. O ex-ditador teve o passaporte confiscado, mas seu defensor, Reynold Georges, garante que ele é livre "para ir onde quiser". Ontem quatro vítimas da repressão do seu regime (1971-1986) apresentaram ao procurador Aristidas Auguste demandas para responsabilizá-lo por violações de direitos humanos. França e EUA fazem pressão aberta para que o governo haitiano acate o relatório, enquanto o Brasil se diz "otimista" quanto ao encaminhamento da crise. Analistas e as forças de paz da ONU, chefiadas militarmente pelo Brasil, preveem dias tensos e rompantes de violência qualquer que seja a decisão final sobre a disputa.
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