Com contrato assinado desde maio de 2007 para se tornar uma retransmissora da TV Cultura, a TV Digital da Universidade Estadual Paulista (Unesp) aguarda a reestruturação do canal educativo para este ano para definir qual será a grade de programação que pretende colocar no ar localmente. A previsão é de que a Cultura comece a transmitir os novos programas de 2011 até abril. A partir de então, a TV Unesp irá ajustar seus projetos para os horários disponíveis para a veiculação de sua produção.
Conforme explica a diretora pro-tempore da TV Unesp, Ana Sílvia Lopes Davi Médola, obrigatoriamente, por lei, toda retransmissora teria de ocupar duas horas e meia da grade total estabelecida por sua emissora líder. Mas, assim como ocorre com as retransmissoras comerciais locais, o canal universitário não terá capacidade para tamanha produção.
Até o momento, a única certeza é a intenção de colocar no ar um programa jornalístico. O restante da programação, ainda indefinido, dependerá dos horários que forem oferecidos pela Cultura a suas afiliadas.
"A partir de então, poderemos estudar qual espaço irá nos interessar de acordo com as nossas demandas. Temos vários projetos, uma série de coisas encaminhadas, mas precisamos saber em que horários poderemos entrar no ar. Não podemos, por exemplo, colocar um programa de bandas de rock no ar às 7h da manhã", exemplifica.
Além de concluir processos licitatórios para a aquisição de equipamentos, a emissora ainda precisa definir seu fluxograma e produzir ao menos dois meses de programação antecipada para poder entrar no ar em caráter experimental. Como todos estes procedimentos não têm prazo definido para serem concluídos, a diretora se recusa a estimar uma data para que a TV possa entrar em funcionamento .
Enquanto aguarda a definição da programação da TV Cultura, a diretora revela que seu foco é continuar trabalhando para "colocar a casa em ordem" após o afastamento do ex-diretor da emissora, professor Antônio Carlos de Jesus, que responde a processo administrativo disciplinar desde setembro do ano passado.
Além de ser acusado de cometer irregularidades na compra e transporte do equipamento Maestro, que possui a incumbência de ajustar o funcionamento da emissora para o Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD), Jesus chegou a ser denunciado por funcionários por conta de uma gestão autoritária e pouco transparente dentro da TV.
Desde o afastamento, nenhum dos cerca de 60 funcionários da emissora voltou a produzir programas ou reportagens. O principal esforço da nova diretoria, agora, é reaproximar a TV da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac) da Unesp e de sua real finalidade: o ensino, a pesquisa e a extensão. "Paramos tudo para analisar o que estava sendo feito e, se necessário fosse, começar do zero. Reavaliamos não somente as propostas de produção, mas também a necessidade de compra de equipamentos, detalhes administrativos, entre tantas outras coisas", enumera Ana Sílvia.
Segundo ela, a grande preocupação é estabelecer uma articulação efetiva com os cursos de pós-graduação em TV Digital mantidos pela universidade, além de permitir a inserção de alunos de graduação no cotidiano da emissora através de projetos de extensão.
Sem data para entrar no ar
Embora a TV Unesp esteja aguardando a definição da nova programação da TV Cultura para definir quais programas pretende colocar no ar, a diretora pro-tempore do canal universitário, Ana Sílvia Lopes Davi Médola, destaca que não há prazo definido para que a emissora local comece a operar. Segundo o Ministério das Comunicações (MC), a TV terá, obrigatoriamente, que iniciar suas transmissões até o dia 22 de fevereiro de 2013, mas Ana Sílvia afirma que a intenção é começar a operar bem antes deste prazo.
"Mas, como dependemos de processos licitatórios que ocorrem em prazos um tanto incertos, até que todos os equipamentos estejam comprados, toda a infraestrutura testada e checada, não será possível dizer uma data", adianta.
Embora o projeto da TV exista desde 2006, o contrato de concessão da emissora só foi assinado junto ao MC em 23 de fevereiro do ano passado. Apenas nesta data a TV Unesp passou a ter permissão para entrar no ar. Mas, mesmo assim, a emissora contratou cerca de 60 funcionários - vinculados à Fundação para o Desenvolvimento da Unesp (Fundunesp), a partir de processo seletivo realizado em março do ano passado.
Obtida apenas para que o canal opere com sinal analógico, a concessão tem validade de 15 anos e se encerra em fevereiro de 2025. Para poder entrar com o pedido de concessão em sinal digital, a TV precisa estar em funcionamento.
Reitoria instaura nova sindicância para apurar sumiço de equipamentos no prédio da TV Digital
A Reitoria da Universidade Estadual Paulista (Unesp) instaurou nova sindicância para apurar o desaparecimento de dois equipamentos importados de dentro das dependências do prédio da TV Digital, situado no Jardim Contorno, em Bauru. A falta dos equipamentos - distribuidores de dados da marca QLogic, avaliados em cerca de R$ 15 mil, cada - foi registrada em boletim de ocorrência no dia 28 de outubro do ano passado, após realização de um inventário, a pedido da diretoria da TV, sobre todos os bens pertencentes à emissora.
De acordo o advogado Luiz Fernando Barcellos, procurador da assessoria jurídica da Reitoria da Unesp em Bauru e representante jurídico da direção da TV, a comissão de sindicância composta por três docentes da universidade será designada até o final de janeiro, quando uma reunião será marcada para dar início aos trabalhos de apuração sobre a responsabilidade do sumiço dos aparelhos. A previsão é que a investigação seja concluída em 30 dias.
"Iremos verificar se houve negligência de algum servidor em relação ao desaparecimento dos dois equipamentos. Caso essa responsabilidade for constatada, será instaurado um processo administrativo disciplinar, a exemplo do que ocorreu no ano passado (em relação ao ex-diretor da TV Unesp, professor Antonio Carlos de Jesus)", comenta.