Economia & Negócios

Bauru gera 13 mil vagas e está entre os 30 municípios que mais criaram empregos

Por Vitor Oshiro | Com Redação
| Tempo de leitura: 5 min


A criação de novos empregos em Bauru foi significativa e histórica em 2010. O número divulgado ontem pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), constatou que quase 13 mil novas vagas foram criadas na cidade durante o ano e, com isso, Bauru se posicionou entre os 30 municípios que mais geraram oportunidades formais em todo o Brasil.

Em números exatos, o cadastro apontou que a cidade criou 12.902 novas vagas durante o ano. Tal índice colocou Bauru em 29.º no ranking que classifica as melhores cidades brasileiras na criação de emprego. A posição é significativa, uma vez que, entre as 27 Unidades da Federação, o País possui 5.565 municípios.

Além desse total, Bauru também ficou à frente de outras cidades de maior porte no Estado, como Jundiaí, classificada somente em 37.ª, e Santos, que, segundo o balanço, terminou na 42ª posição.

Entre as primeiras classificadas nessa lista, 12 são capitais de Estados. O fato também é positivo para Bauru, cujo saldo coloca a cidade acima de algumas capitais que não apresentaram bons índices, como João Pessoa (PB), Maceió (AL), Cuiabá (MT), Vitória (ES) e Florianópolis (SC).

Em todo o Brasil, o Caged contabilizou que foram criados 2,52 milhões de empregos formais durante os 12 meses do ano passado.

Em dezembro de 2010, o JC já havia noticiado o número positivo na geração de empregos durante o ano em Bauru. Na ocasião, com base nos dados do Caged até novembro, a cidade registrava o recorde dos últimos 11 anos, exatamente quando o levantamento passou a ser computado.

O número divulgado pelo cadastro é obtido exatamente por meio de um saldo entre as contratações e demissões durante o período. Com o saldo total de 2010 divulgado ontem, Bauru confirma o avanço positivo, uma vez que, além de atestar o recorde, fica bastante acima do segundo melhor desempenho registrado. Tal marca ultrapassada foi a de 2007, quando foram criados 6.561 novos postos de emprego na cidade, ou seja, quase metade do que foi contabilizado em 2010.

Principais setores


Segundo o levantamento, os dois setores que mais geraram novos empregos no ano passado foram a construção civil e o de serviços. No primeiro, foram 15.525 contratações e 9.374 demissões, o que resultou em saldo positivo de 6.151 oportunidades no ramo.

Já o segundo setor, o de serviços, contabilizou 4.149 empregos em 2010. Foram 26.139 pessoas contratadas e 21.990 demitidas durante esse período.

Para o economista Reinaldo Cafeo que é presidente da Associação Comercial e Industrial (Acib), esses dois setores têm características próprias para serem os que mais criaram novos empregos em 2010. De acordo com ele, "a construção vem mantendo o bom desempenho de outros períodos, sendo que o setor de serviços, principalmente, o das empresas de recuperação de crédito, faz contratações em grandes números. Com a maior disponibilidade de crédito, há mais inadimplência e, por isso, são necessárias mais empresas de cobrança. Essas empresas contratam cerca de 200 pessoas de uma vez".

Em relação ao comércio, que sempre foi um dos traços fortes do perfil econômico de Bauru, o setor aparece em terceiro lugar, justamente pela alta rotatividade. Foram 17.448 contratações e 15.521 demissões, o que resultou em um saldo positivo de apenas 1.927 novos empregos.

Qualificação

O economista Reinaldo Cafeo aponta que, apesar de os números recordistas serem considerados o primeiro passo na dinâmica do mercado de trabalho, a situação ainda deve ser analisada além desses números registrados em Bauru e também em todo o País.

Segundo ele, esses dois setores devem ser analisados mais profundamente para que o contexto econômico realmente seja exposto. "As empresas de recuperação de crédito, ou seja, de cobrança, geralmente não remuneram muito bem e, com isso, a renda não aumenta muito. Já a construção civil ainda encontra escassez de mão de obra quaelificada. E esse é o grande desafio da economia do Brasil como um todo: encontrar a mão de obra qualificada".

De acordo com Cafeo, o problema é devido ao fato de o Brasil não ter investido nessa qualificação dos trabalhadores. "Apesar de aumentar o número de empregos, muita mão de obra não é qualificada. E isso ocorre pois o País não investiu na profissionalização. Agora, o que ocorre é um aumento no número de postos de trabalho que não exigem tanto. Os qualificados criam uma maior mobilidade, pois ainda são escassos e as empresas brigam para tê-los. Assim, quem tiver qualificação, vai se destacar", completa.

Dezembro negativo

Em matéria publicada pelo JC em dezembro do ano passado, o número total contabilizado até o fim do mês anterior era de 13.029 novas vagas, ou seja, maior do que o divulgado ontem no fechamento dos 12 meses.

Tal fato é devido ao saldo negativo de dezembro, que apresentou 727 demissões a mais do que contratações. O economista Reinaldo Cafeo explica que tal número negativo é normal, justamente pelo modo como o Caged é realizado. "Para alimentar o mercado, o pico das contratações da indústria fica em agosto e setembro. Em dezembro, o que se destaca no mercado são as contratações temporárias, que não entram nos dados do Caged. Essas vagas passam a ser contabilizadas quando o funcionário é efetivado, o que muitas vezes não ocorre", informa.

Apesar da marca recorde de 2010, se avaliarmos somente dezembro, o número do ano passado acabou sendo pior que o do mesmo mês de 2009, que apresentou saldo negativo de 707 empregos.

Entretanto, ainda é melhor do que dezembro de 2008 e de 2007, que registraram, respectivamente, 1.367 e 865 mais demissões do que contratações.

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2011 não deve bater novo recorde

Apesar do recorde registrado no ano passado, o economista Reinaldo Cafeo prevê que, ao final de 2011, dificilmente Bauru ultrapassará essa marca histórica. Ele expõe que a política econômica nacional será um entrave para essa grande geração de empregos.

"A perspectiva para o crescimento da economia deste ano é de 4,5%. O governo, preocupado com os índices de inflação, deve promover a alta da taxa de juros e isso refletirá no mercado de trabalho", pontua.

O economista explica que esse aumento nos juros serve exatamente para amarrar a economia. "Então, com isso, nós não teremos o crescimento nessa magnitude (de 2010). Certamente, com essa postura da política nacional, o ímpeto de contratar será menor".

Entretanto, não há motivos para previsões alarmistas. Apesar das ressalvas, Reinaldo Cafeo completa que mesmo sem haver números tão expressivos, não ocorrerá um caos econômico.

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