Washington - Em um discurso apaziguador, o presidente chinês, Hu Jintao, disse ontem em Washington que a China não quer hegemonia nem expansionismo, não entrará em uma corrida armamentista e quer cooperar com os EUA pela estabilidade do Pacífico. O discurso foi feito a uma plateia de empresários reunidos no Conselho de Negócios EUA-China no terceiro dia da visita de Hu ao país. Visou acalmar temores de que as ambições chinesas vão além de crescimento econômico -o que já provoca tensão - e ameaçam também o poderio militar americano em várias partes do globo."Devemos transformar o Pacífico Asiático numa importante região onde a China e os EUA trabalham juntos na base do respeito mútuo", afirmou. Hu disse que os EUA e a China são diferentes e é normal que tenham discordâncias e fricções, mas insistiu em que a China tem uma doutrina militar "defensiva"."Não vamos criar uma ameaça militar a nenhum país. A China nunca vai buscar hegemonia ou investir em uma política expansionista."É cedo para interpretar o efeito da fala do líder chinês nos temores americanos, especialmente porque ele também manteve posições rígidas em pontos controversos. Em relação ao que considera sua integridade nacional, repetiu o recado aos EUA para não interferirem em suas disputas, citando duas das mais polêmicas."O Tibete e Taiwan dizem respeito à soberania chinesa e representam interesses centrais da China. Esperamos que os EUA respeitem esses sentimentos", disse. E as crescentes disputas territoriais chinesas com série de países, inclusive Japão, Filipinas e Vietnã, levaram a pedidos aos EUA de que aumente seu envolvimento militar e político na Ásia. Os gastos militares chineses são os segundos no mundo, só perdendo para os EUA. E crescem mais que sua economia há duas décadas. Michael Swaine, analista do Carnegie Endowment for International Peace, diz que há risco sério de EUA e China estarem se aproximando de uma rivalidade estratégica."Se a hostilidade crescer, Washington e Pequim poderão começar a ver a situação na Ásia como de "soma zero" e procurar formas de conter um ao outro militarmente."Congresso
O presidente chinês, Hu Jintao, procurou convencer ontem parlamentares norte-americanos, muitas vezes hostis, de que a China é um agente de crescimento e não uma ameaça ao poder dos Estados Unidos, durante uma visita de Estado que busca diminuir as divergências entre as duas principais economias do mundo. O Congresso é, muitas vezes, a origem das frequentes críticas contra o desempenho chinês em relação aos direitos humanos, à política econômica e a sua postura nas discussões nucleares com Irã e Coreia do Norte. Um desemprego historicamente alto nos Estados Unidos e a impopular guerra no Afeganistão, somados ao avanço econômico e militar da China, alimentaram uma retórica sobre o declínio americano e os ressentimentos direcionados a Pequim entre o público dos Estados Unidos. Hu se reuniu com o presidente da Câmara dos Representantes e terceiro na linha de sucessão, o republicano John Boehner, e com o líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid. Os dois legisladores não aceitaram o convite do presidente Barack Obama para o jantar de Estado em homenagem a Hu, realizado na noite de anteontem. O líder da minoria republicana do Senado, Mitch McConnell, também rejeitou o convite.
O presidente chinês, Hu Jintao, procurou convencer ontem parlamentares norte-americanos, muitas vezes hostis, de que a China é um agente de crescimento e não uma ameaça ao poder dos Estados Unidos, durante uma visita de Estado que busca diminuir as divergências entre as duas principais economias do mundo. O Congresso é, muitas vezes, a origem das frequentes críticas contra o desempenho chinês em relação aos direitos humanos, à política econômica e a sua postura nas discussões nucleares com Irã e Coreia do Norte. Um desemprego historicamente alto nos Estados Unidos e a impopular guerra no Afeganistão, somados ao avanço econômico e militar da China, alimentaram uma retórica sobre o declínio americano e os ressentimentos direcionados a Pequim entre o público dos Estados Unidos. Hu se reuniu com o presidente da Câmara dos Representantes e terceiro na linha de sucessão, o republicano John Boehner, e com o líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid. Os dois legisladores não aceitaram o convite do presidente Barack Obama para o jantar de Estado em homenagem a Hu, realizado na noite de anteontem. O líder da minoria republicana do Senado, Mitch McConnell, também rejeitou o convite.