Rural

Soja: Brasil ganha espaço e pode mudar mix com quebra na Argentina


| Tempo de leitura: 3 min
A forte estiagem que ameaça a produção de grãos da Argentina deve fazer com que o Brasil ganhe mais espaço no mercado mundial de soja e, se confirmadas as perdas no país vizinho, pode alterar o mix de exportação na safra 2010/11. As preocupações com a Argentina, terceiro maior exportador mundial de soja em grão, vêm dando suporte aos preços futuros da oleaginosa na Bolsa de Chicago, em meio a um panorama de oferta mundial apertada e demanda aquecida. A Bolsa de Cereais de Buenos Aires calcula a safra argentina 2010/11 em 47 milhões de toneladas, ante 55 milhões de t produzidas no ciclo anterior, mas há estimativas que apontam volumes próximos a 40 milhões de t. Confirmado esse cenário, o Brasil pode assumir parcela das exportações argentinas, inclusive da soja processada na forma de farelo e óleo, uma vez que a previsão para a safra brasileira é de uma produção de 68,5 milhões de toneladas, conforme a Companhia Nacional de Abastecimento. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), em seu último relatório, constata esse movimento na América do Sul. A fatia brasileira no volume total de exportações de soja em grãos nesta temporada deverá ser de 32%, ante 30% no ciclo anterior. Já a Argentina, que no ano-safra 2009/10 respondeu por 14% das exportações mundiais da oleaginosa, neste 2010/11 deverá ter participação de 12%. Os Estados Unidos seguem liderando as vendas globais de soja, com 44% do total tanto neste ciclo quanto no passado. Para Fabio Trigueirinho, secretário-geral da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), como a Argentina é o maior exportador mundial de farelo e óleo derivados, o Brasil poderá passar a exportar mais esses produtos, que têm maior valor agregado. "O problema da Argentina só reforça essa situação mais ajustada da oferta, e o Brasil vai ter uma oportunidade muito boa, com preços bons e demanda forte. Se a Argentina tiver problemas mais sérios, nós vamos possivelmente mudar um pouco o mix de exportação e exportar mais farelo e óleo", explicou ele à Agência Estado, destacando que, neste caso, as vendas externas de soja em grão serão menores. Para o USDA, as exportações brasileiras de soja em grão somarão 31,40 milhões de toneladas em 2010/11, ante 28,58 milhões na temporada anterior. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê exportações de 31,3 milhões de t, ante 29,3 milhões no ciclo anterior. Já a Abiove vê exportações de 31 milhões de toneladas de grãos, contra 29,4 milhões de toneladas na temporada passada. Com isso, os estoques finais deste ano estão estimados em 1,6 milhão de toneladas, cerca de 1 milhão de t abaixo da temporada passada. Para o farelo a estimativa de vendas ao exterior foi mantida pela entidade em 13,6 milhões de toneladas, enquanto que para o óleo caiu de 1,5 milhão no ano passado para 1,4 milhão agora. "O que vai haver é uma mudança de perfil. O Brasil vai ter a oportunidade de vender mais o produto industrializado, o que é bom porque tem mais valor agregado e aumenta um pouco o valor das exportações", completou Trigueirinho. Os cálculos da Abiove indicam que a receita com a venda de grãos ao exterior subirá de US$ 11,17 bilhão para US$ 13,6 bilhão nesta temporada. Para o farelo, a receita passa de US$ 4,62 bilhões para US$ 4,89 bilhões; e, para o óleo, o aumento é de US$ 1,27 bilhão para US$ 1,4 bilhão.

Comentários

Comentários