Lençóis Paulista ? A prefeitura de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru) divulgou levantamento sobre os prejuízos causados pela forte chuva que atingiu a região na madrugada da última segunda-feira, deixando parte da cidade alagada (veja boxe ao lado). Entre as obras apontadas pelo Executivo como necessárias para consertar os estragos e evitar novas inundações estão a recuperação de pontes e estradas e a canalização de córregos. A estimativa é de que elas custem aos cofres públicos algo em torno de R$ 4,6 milhões. Segundo a prefeitura, o transbordamento do rio Lençóis e ribeirão da Prata, provocado pela chuva de cerca de uma hora que caiu sobre a região, atingindo em alguns pontos 180 milímetros, deixou 344 pessoas desalojadas (que tiveram que ir, temporariamente, para ginásios ou casas de parentes); 39 desabrigados (que tiveram suas casas destruídas); seis feridos leves e três doentes, além de afetar diretamente 729 moradores, sem que houvessem mortos ou feridos graves. Levantamento final feito pela administração apontou que 160 casas e 21 imóveis comerciais foram afetados pela enchente. Em nenhum deles foi constatado comprometimento na estrutura, somente danos de pequena monta na pintura e nos pisos. Já as pontes do município não tiveram a mesma sorte. Na da cachoeirinha, no ribeirão da Prata, será necessário reconstruir 45 metros lineares de muro de contenção.
Na ponte de Facilpa, no mesmo ribeirão, 120 metros lineares de muro de contenção deverão ser refeitos. Além disso, a prefeitura terá que recuperar a passarela de acesso ao jardim Monte Azul, sobre o ribeirão da Prata; a ponte da Avenida 9 de julho, sobre o rio Lençóis; e a ponte da vila Repke, também sobre o rio Lençóis, onde a estrutura deverá ser substituída por uma feita de concreto.
Para evitar novos alagamentos nas vilas Baccili, Contente e Repke, o município tem um projeto para canalizar 230 metros lineares do córrego Corvo Branco. Na área rural da cidade, os estragos também foram grandes. As pontes do Boqueirão e de acesso ao Cacciolari, ambas sobre o ribeirão da Prata, e a de acesso ao bairro Lageado, sobre o rio Barra Grande, terão que ser recuperadas.
Já as pontes da Fazenda Faxinal e do Sítio São Cristóvão estão com a estrutura comprometida e deverão, respectivamente, ser substituídas por pontes metálica e de concreto. As obras na zona rural também incluem a substituição da linha de tubos na estrada próxima à Casa de Recuperação de Drogados e recuperação de um total de 39,5 quilômetros de estradas rurais, além de reparos em trechos isolados de algumas delas.
As estradas afetadas pela chuva na área rural de Lençóis foram as que dão acesso a São José do Passinho (2,5 km); a Casa de Recuperação de Drogados (2,5 km); ao Boqueirão/Cacciolari (2,5 km); a cidade de Borebi (15 km); aos fortes (2 km); a Idio Portoni/Maria Frias (1 km); a Ripasa (Fioravante); a Horácio Dias (2 km); e a Debruado (12 km).
Ontem, em visita a Botucatu, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) declarou que a primeira ação do Estado deverá ser direcionada ao atendimento das vítimas das enchentes. "O trabalho que tem sido feito em relação às chuvas é primeiro da Defesa Civil, que é atender as famílias desabrigadas", diz. Na sequência, ele defende que, juntamente com as prefeituras, essas famílias sejam retiradas das áreas de risco. "Se for o caso, a gente paga o aluguel social", afirma. Outra alternativa citada pelo governador é a construção de conjuntos habitacionais para re-alocar as pessoas que perderam suas casas em razão das chuvas. "Vamos, inclusive, fazer o BNDES da habitação no estado de São Paulo, junto à iniciativa privada. E depois, ajudar os municípios a recuperar o estado, sua infra-estrutura. Há casos de tempestade, mas também há rios assoreados, que não têm capacidade de drenagem para aquela região. Nesse sentido, é preciso agir estruturalmente", pontua.
Por que a chuva deixou parte de Lençóis alagada?
Radiografia sobre a chuva da madrugada da última segunda-feira, traçada pelo analista de Meio Ambiente e graduando em Gestão Ambiental Sidney Aguiar, mostra que a precipitação foi maior na região da microbacia do ribeirão do Faxinal, que abrange as fazendas Faxinal, Passinho, Lagoa Seca e Garrido, onde foi registrado índice exorbitante de 147,25 milímetros de chuva por metro quadrado.
Na microbacia do ribeirão da Prata, onde está localizada a fazenda São José e a torre de transmissão da Telesp, choveu 104,5 milímetros por metro quadrado. Na microbacia do ribeirão da Anta, em Borebi, onde fica a fazenda Noiva da Colina, a intensidade pluviométrica foi de 180 milímetros por metro quadrado. Se levarmos em conta a chuva nesses três pontos, chegaremos ao índice de 431,75 milímetros por metro quadrado na região de Lençóis.
De acordo com o analista de Meio Ambiente, toda essa água da chuva chegou ao rio Lençóis, que não suporta um volume superior à 100 milímetros por metro quadrado. Ele explica que as causas dos alagamentos foram a grande concentração de chuva em pontos específicos da bacia do Rio Lençóis, entre Lençóis Paulista e Borebi, e o recebimento de água, por parte do rio, de quatro vezes acima da sua capacidade.