Tribuna do Leitor

JANEIRO É DE PAULO, PAULO RELUZ EM JANEIRO


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Janeiro é o mês do calor e das águas. Esses abundam por aqui. Ambos invadem nosso começo do ano de forma desordenada e desarruma a vida de todos. Uma balbúrdia de lamentações proferidas por todos os lados. Para muitos, período de férias, tanto escolares quanto trabalhistas e alguma possibilidade de variação de ares. Para os que ficam, além de suportar como podem as situações em evidência nesse sertão paulista, algo esperado com muita expectativa por uma legião de fãs. O cenário cultural bauruense em janeiro acompanha o modorrento clima. Pouco ou nada em evidência. Uma coisinha aqui e outra ali. O imponente Teatro Municipal de Bauru, antes palco de apresentações mil, anda entregue às moscas ou a meras apresentações de formandos. Uma ignóbil utilização. Difícil conseguir escapar disso. Algo ocorre em janeiro a renovar os ares, dando vida, luz e brilho para palco e platéia a clamarem por utilização mais condizente com sua importância. Uma tsunami cultural varre Bauru. Nesse ar modorrento, poucos arriscam voos em ares desconhecidos. Adoro aves que voam no sentido contrário, insistem no caminho do novo, buscam novos horizontes. Dentre uns poucos por aqui, um alça voo mais do que significativo. Paulo Neves é seu nome e sobrenome. Não se faz necessário escrevinhar currículo de tão magnânima pessoa. Esse é aroeira pura, um a resistir como pode. Ciente ser necessário continuar na lida, trilhando sempre pelo caminho começado lá atrás. Um professor de história a abrir mentes e produzir entendimentos nunca dantes navegados. Com professores assim, alguns nunca mais serão os mesmos. Serão sim, os diferenciais nessa estabelecida balbúrdia reinante. Mas Paulo não é só professor de bancos escolares. Faz muito mais que isso. Ocupa seu tempo maravilhosamente. Transforma pessoas comuns, garotada querendo ser, fazer e acontecer em gente com luminosidade própria. Seu curso de teatro é algo para mover essa cidade. Gente de todas as gerações estão envolvidas com sua verve criativa. Imantada pessoa. A cada ano aguardamos janeiro de boca aberta, esperando o presente que Paulo irá despejar sobre nossas mentes. Surpresa renovada. Na próxima segunda-feira mais uma Mostra de Teatro Paulo Neves ocorre na cidade e quem perder pode esquecer-se de 2011 e pular direto para 2012, aguardando a traquinagem que ele nos aprontará ano que vem. Feliz um povo que possui alguém tão criativo. Suas peças preenchem o espaço teatral da cidade num mortiço janeiro, como única atividade a ocupar o rico espaço do Teatro Municipal de Bauru. E tudo volta a brilhar, gente a movimentar e circular maravilhosamente num espaço público a merecer ocupação popular digna do nome ostentado na sua parte externa, Celina Alves Neves. Não coincidentemente, Celina e Paulo são mãe e filho. Não coincidentemente uma das melhores utilizações ocorridas no grandioso teatro bauruense são com as peças do Paulo. Perder isso e reclamar da falta de atividades culturais na cidade é para endoidecer gente sã. Janeiro pulsa culturalmente por causa da Mostra Teatral do Paulo e o teatro revive bons momentos por sua causa. Paulo anda triste, um esgrimista nato, dando muito murro em ponta de faca, engolidor de fogo, engraxate de ilusões e somente algo lhe devolveria aquele ar saudável e auspicioso, a nossa presença lá reconhecendo tudo o que faz por nós. E isso é o mínimo que podemos fazer por ele. (Henrique Perazzi de Aquino - professor de história e blogueiro - www.mafuadohpa.blogspot.com)

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