Reginópolis (70 quilômetros de Bauru) tem aproximadamente 7.500 habitantes e 20% deles possuem bicicleta. Com elas, ao contrário do que acontece nos municípios de médio porte e grandes metrópoles, cumprem a rotina diária. Vão ao banco, farmácia, supermercado, fazem visitas, enfim, se deslocam de um lado para outro dentro da cidade. O carro fica na garagem e só é utilizado para viagens e deslocamentos maiores. O costume de usar as bicicletas como veículo de locomoção passa de pai para filho e netos. Começou quando a cidade possuía poucas ruas e carros, mas persiste até hoje. Quem entra pela primeira vez na cidade, pode até achar que está tendo uma visão de futuro. Ao invés de ruas tomadas por carros, congestionamento, poluição, semáforos e buzinas, se deparam com amplas vias cheias de bicicletas. No lugar de motoristas estressados, encontram senhoras, senhores, crianças e jovens pedalando e com um sorriso estampado no rosto. Na porta da agência bancária, bikes estacionadas. A cena se repete em frente ao supermercado, farmácia, lojas, padarias e nas residências. O veículo é o mais usad, e nem por isso é o mais furtado. Ocorrem no máximo três furtos de ?magrelas? durante um ano. Os empréstimos temporários, por sua vez, têm espaço garantido. É costume um morador passar e pegar a bicicleta estacionada, mesmo que não seja a sua, e ir para determinado local. Em seguida, ele devolve no mesmo local, um fato inusitado. Pedalar todos os dias, inclusive os chuvosos, garante uma boa qualidade de vida, porque ativa a circulação e altera os batimentos cardíacos. Dos 650 idosos residentes, poucos apresentam taxa de colesterol e triglicérides fora do índice preconizado. Para aqueles que não aprenderam a equilibrar-se na bicicleta, uma oficina se incumbe de fazer a adaptação e transformar a bike numa espécie de triciclo. Para o professor de Educação Física Carlos Henrique Diguê de Carvalho, a população só tem a ganhar com as pedaladas diárias. "É uma atividade inerente que só traz benefícios para todas as faixas etárias. As doenças modernas, fruto do sedentarismo, vão embora com o uso da bicicleta. O exercício trabalha bastante os membros inferiores, especialmente as pernas, que podem ficar torneadas. Mas são as taxas de colesterol e triglicérides que sofrem as maiores baixas." Pedalar não causa impacto, o que faz com que o exercício seja indicado para pessoas com problemas no joelho. "Alguns médicos substituem o uso da esteira pela bicicleta, porque como ela não tem impacto, não prejudica as articulações, o tornozelo e o quadril." Para ele, pedalar na rua ou na bicicleta ergométrica, aquelas que ficam fixas dentro de ambientes fechados, têm o mesmo gasto energético. Porém, na rua, o ciclista vê novas paisagens. Nas cidades não planas, as dificuldades aumentam, porque na descida o ciclista não pedala e se esforça mais para subir. O trânsito e os buracos nas vias são outros problemas dos grandes centros. Para os mais jovens, o educador físico indica a bicicleta para eliminar as gorduras localizadas. "Cerca de 30 minutos diários são suficientes para influenciar nos exames médicos."
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