Túnis - O primeiro-ministro interino da Tunísia, Mohamed Ghannouchi, prometeu, anteontem, abandonar a política após as eleições. Aliado-chave do ex-ditador Zine el Abidine Ben Ali, que abandonou o país sob protestos na semana passada, Ghannouchi tenta convencer os manifestantes que tomam as ruas da capital, Túnis, de que as mudanças no país são concretas. Ontem, novos protestos foram feitos, agora com a adesão da polícia, que, no regime Ben Ali, funcionava como força repressora. Junto ao governo de transição, o premiê anunciou eleições livres para o país dentro de seis meses, mas a data permanece indefinida. Ghannouchi se desvinculou do partido do ditador, afirmando que o governo interino precisa de "mãos limpas". Contudo, o premiê também frisou a importância de políticos experientes para a transição. Quatro ministros foram forçados nessa semana a abandonar o cargo logo após assumirem, numa tentativa de eliminar do governo políticos do período do ditador e acalmar a oposição. Mais de 30 membros da família do ditador deposto foram presos. O governo interino prometeu libertar todos os prisioneiros políticos da época do regime e legalizar grupos políticos até então proibidos. Pelo menos 78 pessoas foram mortas desde o começo dos protestos, em dezembro. A comoção na Tunísia segue repercutindo no mundo árabe. Ontem, na vizinha Argélia, opositores do governo entraram em confronto com a polícia. Na Mauritânia e na Arábia Saudita, dois homens morreram após colocarem fogo no próprio corpo.
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