Se um bolo de aniversário fosse feito para comemorar o número de vezes que o JC Criança já foi publicado, seriam necessárias exatas 1.000 velinhas. Isto porque, contando este exemplar que está em sua mão neste momento, 1.000 cadernos diferentes já foram produzidos. Tudo começou em 1991, quando muita gente que está lendo o caderno agora ainda nem havia nascido. A princípio, o JC Criança tinha apenas quatro páginas e todas eram em preto e branco. Naquela época, histórias, atividades, textos e desenhos eram os principais responsáveis por fazer com que os novos leitores viajassem pelo encantador mundo da imaginação. Do primeiro dia em que foi publicado até hoje, já se passaram 19 anos, três meses e quatro dias ou, se preferir, 1.000 semanas. Neste meio tempo, o JC Criança cresceu: passou a ter 12 páginas, ganhou cor e conquistou um número maior de leitores. Acompanhando a evolução do caderno, as crianças de antigamente, que leram e coloriram os primeiros exemplares, se transformaram nos adultos de hoje. Muitos, inclusive, já são pais. E como toda boa tradição passa dos pais para os filhos, com o JC Criança não podia ser diferente. Conheça a seguir as histórias de quem teve um pedacinho de sua vida contado nas páginas do JC Criança e hoje apresenta aos filhos, por meio do caderno, o mundo mágico da leitura.Sonho de infância Dia 12 de outubro de 1991 é uma data inesquecível para Dilene Sávia Capiotto, 33 anos. Isto porque foi neste dia que ela pegou nas mãos, pela primeira vez, um exemplar do JC Criança. Era uma tarde de domingo e a mãe de Dilene acabava de voltar da feira, onde trabalhava, e trouxe para a filha o primeiro exemplar do caderno infantil. "Eu tinha 14 anos mas, como morava em sítio, não tinha com quem brincar. O JC Criança foi um dos melhores presentes que ganhei. Todas as semanas, eu devorava página por página e, quando acabava, lia tudo novamente, por diversas vezes. Passava a semana ansiosa, rezando para chegar logo o próximo domingo para eu poder ler uma nova edição", lembra Dilene, que passou a enviar cartas com desenhos e textos para publicação. A paixão era tanta que ela passou a colecionar os exemplares, guardando-os cuidadosamente dobrados em uma pasta com plásticos. "Para mim, valiam mais que dinheiro", explica. A rotina se repetiu por quase dois anos até que, para decepção de Dilene, seu padrasto colocou fogo em sua coleção e ela, desanimada, abandonou o hábito. Desde então, mais de 15 anos se passaram. Dilene casou-se, teve três filhos e, por uma surpresa do destino, voltou a ter contato com o JC Criança no final de 2010."Eu trabalhava em um hotel e o jornaleiro lançou sobre mim o jornal de domingo. Na hora meu coração disparou: sabia que o JC Criança estava ali. Apanhei-o com todo carinho e revivi minha infância. Percebi que fui uma criança feliz por conta do caderno. Na mesma hora decidi escrever uma cartinha para a Redação e também apresentar meus filhos ao suplemento", conta. O resultado veio na penúltima quarta-feira, dia 12, quando Dilene foi convidada e realizar um sonho de infância: conhecer onde e como o JC Criança é produzido. Ela e as filhas Lana Beatriz, 6 anos, e Hayra Gabriela, 3 anos, visitaram a redação, o setor de impressão e o departamento comercial e levaram para casa muitas histórias para contar para o papai e para o irmão João Gabriel, de 5 anos, que esperavam ansiosos por novidades. Confira ao lado alguns momentos deste dia especial.
Para pais e filhos Todos os domingos, quando o JC Criança chega à casa da família Daniel dos Santos, é a maior festa. Isto porque os irmãos Walisson e Wender, de 13 e 10 anos, respectivamente, fãs do caderno, travam uma disputa para completar as atividades propostas no exemplar e passam um bom tempo rindo das tirinhas e piadas estampadas pelo suplemento. O hábito de ler o JC Criança nasceu com o pai dos garotos, Hildo Daniel dos Santos, 47 anos, que começou a ler o caderno há mais de dez anos, quando já era adulto."Eu sempre achei o JC Criança muito interessante e fiz questão de incentivar meus filhos a lê-lo. Creio que as matérias e passatempos trazidos são interessantes tanto para os pais quanto para os filhos. Além disso, sempre que posso, participo mandando cartas e sugestões", explica Hildo, que fez um acróstico em homenagem à milésima edição do suplemento. E tanto incentivo resultou na participação frequente dos garotos que, sempre que podem, mandam cartinhas com fotos e poesias."Fico muito contente cada vez que vejo que algo que fiz foi publicado. É muito legal", resume Walisson, que, junto do pai e do irmão, recorta os textos e as fotos publicados no JC Criança e cola em uma das portas da casa onde moram. "É nosso mural", exibe Hildo Daniel, orgulhoso.
Momento especial Quem pega os exemplares do JC Criança de 17 anos atrás, certamente encontrará muitas fotos de uma jovem bailarina chamada Raquel Adelina Borges, na época com 11 anos. Leitora do JC Criança desde a infância, Raquel tem hoje 38 anos e recorda-se com carinho de sua reação quando via seu retrato impresso nas páginas do caderno."Era meu pai quem mandava as fotos e eu ficava muito feliz cada vez que as via publicadas. Quando as pessoas comentavam que tinham me visto no jornal, então... era o auge: eu me sentia superimportante", lembra, rindo. Hoje não é mais o pai de Raquel quem envia as fotos da filha, mas, sim, a própria Raquel, que já faz o papel de mãe-coruja da pequena Melina Salim Borges, de 3 anos."Acho fundamental que a leitura se torne um hábito ainda na infância e nada melhor que o JC Criança para este começo", avalia ela, que aponta a formação de caráter e de referências e o desenvolvimento de um raciocínio crítico e de argumentos como alguns dos benefícios da leitura. Mas, sei que você está pensando que há algo de errado nesta história: afinal como a Melina lê, se ela tem apenas 3 anos? Calma, Raquel logo explica: "Ela não entende as palavras, mas sabe que elas contam histórias interessantes. Além disso, fica sempre atenta nos desenhos. Ela lê, sim. Do seu jeito, mas lê", orgulha-se Raquel, que aponta a matéria principal e a programação do teatro como os itens preferidos da pequena Melina.