Porto Príncipe - O embaixador brasileiro no Haiti, Igor Kipman, mudou de tom ontem e afirmou a jornalistas que o retorno do ex-ditador Jean-Claude Duvalier, o Baby Doc, e a possível volta do polêmico ex-presidente Jean-Bertrand Aristide serão bem-vindas. "É importante a participação de todos neste momento", disse, referindo-se à reconstrução do país devastado por um terremoto em janeiro de 2010 e em meio a um impasse eleitoral. O tom de Kipman diverge da preocupação que expressou em entrevista há dois dias e contraria a fria recepção do representante especial da Organização das Nações Unidas (ONU) no país, Edmund Moulet. Questionado pelos jornalistas se já falou com Baby Doc, que voltou ao país após 25 anos de exílio na França, Moulet foi direto: "não falo com ditadores". Ele não comentou os rumores da volta de Aristide. Já Kipman defendeu, questionado sobre a possível volta de Aristide, que "é importante a participação de todos neste momento". "No momento qualquer participação é bem-vinda. (Tanto a do Aristide) como a do Duvalier", afirmou. Baby Doc fez um retorno inesperado e ainda misterioso ao Haiti. Ele disse que não vai se candidatar a presidente, mas não excluiu participar da política. Desde então, ele foi indiciado pela Justiça por corrupção e desvio de fundos públicos durante seu governo. Duvalier assumiu o poder com 19 anos, em 1971, após a morte de seu pai, François Duvalier, o Papa Doc. Aristide continua no exílio na África do Sul - onde está desde 2004, quando uma milícia rebelde tomou o norte do país e marchou em direção à capital. Em carta divulgada na quarta-feira, dia 19, ele pediu a renovação de seu passaporte - que estaria sendo negada pelo governo haitiano - e deu a entender que queria voltar ao país. Kipman sugeriu ainda que a volta de Aristide causaria uma mobilização ainda maior que Baby Doc e poderia ser benéfica para incrementar os esforços nacionais de reconstrução."Aristide tem mais presença e mais liderança na convocação das massas porque deixou a Presidência há sete anos e Baby Doc, há 25", disse o embaixador. "É uma suposição minha. Se ele vem com o espírito de contribuir é benéfico. O haitiano tem que colocar a mão na massa". Kipman e Moulet estavam em Porto Príncipe para a Jornada Haitiana do Esporte pela Paz, uma corrida de rua de seis quilômetros, realizada na manhã de ontem.
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