Bairros

Chuva com vento e granizo castiga Bauru

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 5 min

Após alguns dias de sol e sem grandes chuvas, novamente Bauru foi castigada com uma forte precipitação no fim da tarde de ontem. Além do volume de água - que mais uma vez expôs a fragilidade da cidade -, houve queda de granizo em algumas regiões. Entretanto, o pior problema foi a força dos ventos que, segundo o prefeito Rodrigo Agostinho, provocou a queda de cerca de 50 árvores por toda a cidade.

Segundo o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Unesp, a força máxima dos ventos foi de 46,9 quilômetros por hora, porém, de acordo com o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, os estragos foram tantos que ele calcula uma força ainda maior. "Acredito que os ventos chegaram a 60 km/h dentro da cidade. Faço esse cálculo da intensidade justamente pelos estragos que verificamos. Dessa vez, o vento veio muito forte".

E, apesar da chuva ter sido rápida ? aproximadamente 40 minutos -, os estragos realmente foram grandes. Tanto na região central quanto nos bairros, árvores e painéis caíram. Logo após a chuva, o Corpo de Bombeiros trabalhou de forma intensa para conter os prejuízos, principalmente em locais em que a rede elétrica foi atingida.

Segundo Rodrigo, umas das ocorrências desse tipo que deu mais trabalho foi no Jardim Tangarás, onde, após derrubar a rede elétrica, a queda de uma árvore deixou vários moradores sem energia. O mesmo ocorreu na quadra 40 da Nações Unidas, no Ferradura Mirim e em diversos outros locais da cidade.

"A estimativa é a de que cerca de 50 árvores tenham caído tanto no Centro quanto nos bairros. Logo após as chuvas, concentramos nossos esforços nesses locais em conjunto com o Corpo de Bombeiros", afirma o prefeito.

Na avenida Getúlio Vargas, uma árvore caiu sobre um carro, porém, felizmente, ninguém se feriu. Na mesma via outro problema apareceu. Por toda a extensão, vários painéis foram derrubados e arrastados pela ventania.

No Jardim Nicéia, também foram registradas algumas ocorrências. Uma delas foi uma árvore que também caiu sobre um automóvel Fusca e o deixou bastante destruído.

Já outra árvore caiu na quadra 4 da rua Sérgio Arcângelo e interditou a via. O mesmo ocorreu com outra árvore na quadra 6 da rua Silva Jardim, no bairro Bela Vista.

Fato ?normal?

Questionado sobre o grande número de árvores que caíram, o prefeito Rodrigo Agostinho afirmou que, pela força registrada dos ventos, "o fato não foi extraordinário". "Muitas árvores caíram por que estão equilibradas em copas e, com os ventos, acabam sendo derrubadas. Em outros locais, a força da ventania quebrou os galhos e eles foram jogados contra os fios", completa.

Além dos fortes ventos, em alguns lugares da cidade choveu granizo. Apesar de pequenas, as pedras assustaram os moradores, principalmente aqueles que estavam com veículos estacionados em áreas descobertas e ficaram preocupados com possíveis danos materiais.

Ruas de terra

Tanto o prefeito Rodrigo Agostinho quanto a Defesa Civil concordam que outro grande prejuízo da chuva de ontem aparecerá nos bairros com muitas ruas de terra. O JC vem noticiando casos de ruas que praticamente "desaparecem" por conta de enormes erosões e como os reparos feitos pelos órgãos públicos são facilmente desfeitos pelas águas.

"Em dois ou três dias que as chuvas pararam, conseguimos recuperar grandes pontos da cidade. Foi uma evolução imensa. Porém, com essa nova chuva, temos que avaliar quais foram os prejuízos. Amanhã (hoje), poderemos verificar o que realmente foi desfeito", afirma Rodrigo Agostinho.

Em matéria publicada no começo do mês, o próprio secretário municipal de Obras, Eliseu Areco, afirmou que os reparos emergenciais são realmente paliativos e que a pavimentação seria a única solução para o problema.

Pista interditada

A chuva intensa não causou transtornos somente aos moradores do perímetro urbano de Bauru. Quem estava nas estradas também sofreu com a precipitação.

Além da falta de visibilidade e do perigo da pista molhada, a Polícia Rodoviária precisou interditar um trecho da rodovia João Baptista Cabral Rennó, conhecida como Bauru-Ipaussu.

De acordo com os policiais rodoviários, sem ter para onde escoar, a água se acumulou em um pequeno trecho localizado no quilômetro 235 da rodovia. Com isso, foi preciso interditar o local por aproximadamente 10 minutos.

Em 40 minutos, acumulado foi de 42,7 milímetros

Os fortes trovões já ligavam o alerta à população da forte chuva que atingiu Bauru na tarde de ontem. Muitos moradores já estavam até achando que a chuva tinha dado uma "trégua", entretanto, após quase uma semana, a precipitação apareceu de forma bastante intensa e novamente trouxe os problemas de sempre à cidade.

Até o fechamento desta edição, o IPMet havia registrado 42,7 milímetros de precipitação. A última chuva semelhante ocorreu na segunda-feira da semana passada, cujo volume total foi de 45,2 milímetros.

Depois desse dia, houve somente precipitações moderadas, com índices inferiores a 25 milímetros acumulados, e garoas.

Entretanto, na tarde de ontem as precipitações voltaram e, com ela, todos os problemas nos pontos críticos da cidade. A reportagem esteve na avenida Nações Unidas, onde presenciou um ônibus que, por cautela, preferiu parar e não tentar enfrentar o alagamento. Novamente, nas proximidades da linha férrea, o volume de água acumulada foi assustador.

Segundo o coordenador da Defesa Civil da cidade, Álvaro de Brito, além da Nações Unidas, os pontos críticos novamente foram os mais afetados. "Novamente são aqueles pontos que sempre frisamos e alertamos: a Comendador Joaquim da Silva Martha, alguns trechos da Rodrigues Alves e a própria Nações Unidas. Os bauruenses devem evitar esses locais sempre em dias de chuva".

A Defesa Civil ainda aponta outros pontos que ficaram bastante alagados, como o viaduto da avenida Duque de Caxias sobre a Nações Unidas, a avenida Alfredo Maia e a rotatória da Castelo Branco. "As ruas Venezuela e Guatemala também foram pontos de grandes alagamentos nessa chuva de hoje (ontem). Apesar da água, não soubemos de carros sendo arrastados", complementa o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito.

Comentários

Comentários