Bairros

Chuvas de fim de tarde vão até março

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min


O bauruense terá de ser acostumar a se precaver porque as características chuvas de fim de tarde do verão brasileiro serão frequentes na cidade até o final de março. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTec), nesta época do ano, as temperaturas elevadas, associadas à alta umidade relativa do ar, contribuem para a incidência de precipitações entre o final do dia e inicio da noite.

Além de ocorrerem no complicado horário de ?rush? do trânsito, quando todos estão deixando o trabalho de volta para casa, chuvas de verão ? quando não sofrem interferência de outros fenômenos meteorológicos - geralmente são torrenciais e registradas em intervalos de tempo relativamente curtos. Como resultado, os motoristas são pegos de surpresa em meio à enxurradas e as medidas preventivas da Defesa Civil para evitar transtornos, literalmente, vão por água abaixo.

O meteorologista do Inpe, Olívio Bahia do Sacramento Neto, explica que a maior incidência de radiação solar e o aumento de umidade em razão de mudanças no padrão de ventos da estação promove o desenvolvimento de nuvens que persistem ao longo do dia, a partir do início da tarde, quando os termômetros costumam registrar as temperaturas máximas do dia. Ao final deste processo, das 15h em diante, ocorrem as precipitações.

"Geralmente, o dia de verão típico é caracterizado por manhãs bonitas e tardes bastante quentes. A partir do meio-dia, quando ocorre uma incidência maior de radiação, o solo fica mais aquecido e a evaporação da água da superfície faz com que nuvens sejam formadas", observa o meteorologista, acrescentando que, em algumas ocasiões, além de chuvas, podem ocorrer também numerosas descargas elétricas, vendavais e queda de granizo.

"Tudo ocorre num intervalo de meia hora a uma hora, mas provocam um impacto muito significativo à população, principalmente quando não há uma estrutura urbana preparada para suportar esses fenômenos", considera. De acordo com Sacramento Neto, os sistemas que provocam tempestades de curta duração são denominados complexos convectivos, muitas vezes caracterizado por nuvens que se formam verticalmente e que podem chegar a 12 quilômetros de altura.

"São nuvens muito poderosa e carregadas de energia pronta para serem liberadas. Dependendo da altura que alcançam da base até o topo, além de ventos fortes e granizo, elas são capazes de provocar fenômenos mais intensos, como tornados", destaca.

Exceção

A exceção à esta regra, segundo o meteorologista Olívio Bahia do Sacramento Neto, se dá quando outros tipos de sistemas, menos comuns nesta época do ano, passam a atuar em determinada região. É o que ocorre, por exemplo, quando o tempo é influenciado por frentes frias ou pela Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). "Nestes casos, as nuvens ficam carregadas desde cedo e as chuvas ocorrem em qualquer período do dia, de manhã, à tarde ou à noite", pontua.

Ainda que, em Bauru, a precipitação acumulada em janeiro já seja praticamente o dobro do volume registrado no mesmo mês de 2010 e esteja próxima do recorde dos últimos 14 anos ,Sacramento Neto frisa que não é possível afirmar que a cidade vive uma mudança de comportamento climático. Para chegar a esta constatação, segundo ele, seria preciso traçar um estudo de, no mínimo, 30 anos de medição consecutivos, dado de qual o Instituo de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru ainda não dispõe.

"Existe uma falsa impressão de que esses fenômenos estão se intensificando. Na verdade, o que houve foi o aumento da população e, com ele, deu-se a ocupação desorganizada do solo. Então o impacto é maior. Mas não é possível afirmar que as chuvas estejam mais violentas do que anos atrás sem um estudo concreto", pontua.

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