O vereador José Roberto Segalla (DEM) vai questionar formalmente a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) sobre quais são os critérios adotados para autorizar a reserva de vagas de estacionamento em frente de prédios residenciais. Segalla destaca que alguns imóveis foram beneficiados e outros não. De acordo com a Emdurb, qualquer prédio pode solicitar o benefício.
É comum encontrar pela cidade prédios com quase toda a sua frente reservada, com a guia pintada de amarelo. A medida impede o estacionamento de carros no local, colaborando para a falta de vagas em vários pontos de Bauru. "O que me intriga é que alguns prédios possuem a frente reservada, permitindo estacionamento apenas para carga e descarga, enquanto outros não possuem o benefício. Quero saber qual a razão disso. A Emdurb está atendendo pedidos?", questiona o vereador.
E, independentemente do critério, o vereador discute a praticidade e a lógica do benefício para alguns, em detrimento à coletividade. É visível a ociosidade dessas vagas. Para Segalla, a justificativa de que o imóvel precisa ter essa área para que os moradores possam fazer mudanças não é válida. "A área fica reservada o tempo todo, mas não é sempre que tem mudança. É ocasional. E isso também não justifica apenas alguns prédios terem a faixa", observa o parlamentar. Ele ressalta que ao atender pedido de um prédio, boa parte da quadra é afetada pela falta de vagas para estacionamento.
Uma das alternativas a serem discutidas com a Emdurb é se a prática do bloqueio pontual, por um tempo determinado, não resolveria o problema de vaga para mudanças residenciais em prédios, por exemplo. Ou seja, a requisição de mudança levaria o condomínio a, logo pela manhã, efetuar a reserva, para garantir a entrada ou saída dos móveis de um morador. Mas, realizado o serviço, a vaga volta a ser ocupada por estacionamento pelo público. Do jeito que está, a regra favorece alguns particulares em detrimento à coletividade.
Ele está realizando, há alguns dias, o levantamento fotográfico de várias situações relacionadas ao trânsito e, também, de ocupação do solo. O parlamentar também questiona os espaços destinados ao estacionamento de motocicletas. Cita um local próximo a uma grande empresa, onde há dezenas de vagas para esses veículos. Porém, em outros pontos de Bauru, também nas redondezas de empresas com inúmeros funcionários, não há tantas vagas assim. "O empresário tem que pensar nisso, em oferecer vagas para seus funcionários", pondera. Para ele, ao atender esse tipo de solicitação, a Emdurb está "privatizando o espaço público".
Aníbal dos Santos Ramalho, gerente de planejamento viário da Emdurb explica que a reserva de vaga passou a ser adotada há cerca de quatro anos. "A maioria dos prédios tinha problema para carga e descarga para mudanças ou para empresas como a de gás de cozinha que precisavam abastecer o imóvel. Na época, a Emdurb decidiu que os condomínios que solicitassem, teriam uma metragem reservada para isso", afirma o gerente.
Aníbal ressalva que a medida não abrange toda a extensão da fachada do prédio. "Não é para toda a testada. Depende de um estudo a ser feito, mas em média, é reservado de 12 a 14 metros. Mas não é uma exclusividade de alguns prédios", reitera. Ele observa que utilizar cones para impedir o estacionamento na frente desses imóveis apenas nos momentos de carga e descarga também não é viável. "É uma situação irregular", pontua.
Sobre as vagas para motocicletas, Aníbal explica que o aumento das baias também deve ser solicitado. "Nós avaliamos se existe a necessidade de criação", afirma. Porém, ele admite rever os critérios de reservação de vagas. "Em 2010 já revisamos a regulamentação para carga e descarga no Centro. Assim, também podemos rever nessas áreas. Uma medida seria estipular horários para que essas ações possam acontecer", sugere.
No entanto, o gerente adverte que a Emdurb precisará estudar medidas que garantam o melhor fluxo de trânsito. "E muitas delas envolvem a proibição de estacionamento nas vias", pondera.