Tunis - O governo de transição da Tunísia, comandado pelo primeiro-ministro Mohamed Ghannouchi, anunciou a troca de 12 ministros para tentar conter os protestos contra a participação de ex-integrantes do regime de Zine Abidine Ben Ali, derrubado em 14 de janeiro depois de 24 anos no poder."Este governo é interino e vai continuar até completar sua missão de levar o país à democracia", disse Ghannouchi na TV, em discurso para anunciar a mudança. Entre os ministérios que foram alvo da reforma estão pastas importantes, como Defesa e Interior. A presença de membros da gestão de Ben Ali vinha sofrendo violenta oposição da central sindical UGTT (União Geral dos Trabalhadores Tunisianos), entre outros setores. Ontem manifestação convocada pela UGTT reuniu milhares em Sidi Buzid, no centro-oeste da Tunísia. Sidi Buzid foi a cidade onde, em dezembro de 2010, o jovem Mohamed Buazizi ateou fogo ao próprio corpo para protestar contra o governo, dando início a uma série de manifestações que culminaram na queda da ditadura. Houve protestos também na capital, Túnis. A Tunísia já enviou à Interpol alerta pedindo a prisão de Ben Ali, que fugiu para a Arábia Saudita. Exilado em Londres há mais de 20 anos, o líder do partido islâmico Ennahda, Rached Ghannouchi, prometeu voltar ao país neste domingo.
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